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China promete pagar mais pela soja dos EUA para agradar Trump

China avalia comprar mais soja dos EUA para agradar Trump, elevando custos de importação até US$ 400 milhões por oito milhões de toneladas, diante da tarifa de 13%

Cargas de soja em Dakota do Norte, EUA
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  • Importadores chineses enfrentam custos mais elevados para importar 8 milhões de toneladas adicionais de soja dos EUA, já que o Brasil está mais barato na sua temporada de pico de exportação.
  • Pequim pode ordenar compras pelas estatais de grãos para agradar Donald Trump antes da visita de Estado prevista para abril, enquanto busca outras concessões de Washington.
  • O país considera comprar 20 milhões de toneladas de soja dos EUA na temporada atual; Trump disse que a conversa com Xi foi “muito positiva”.
  • Sinograin e Cofco já compraram cerca de 12 milhões de toneladas dos EUA desde outubro, pagando quase US$ 100 milhões a mais do que pagariam pela soja brasileira.
  • A diferença de preço entre EUA e Brasil aumenta o prêmio para a China; soja de abril nos EUA está entre US$ 2,08 e US$ 2,48 por bushel acima da CBOT, frente prêmios brasileiros de US$ 1,18 a US$ 1,33; esmagadoras privadas seguem reticentes devido à tarifa de 13% sobre a soja norte-americana.

Importadores chineses enfrentam custos mais altos para importar 8 milhões de toneladas adicionais de soja dos EUA, conforme Pequim analisa a compra, enquanto o Brasil oferece cargamentos mais baratos em sua temporada de pico. A informação é da Reuters.

Apesar de a pressão de preços favorecerem o Brasil, há sinalizações de que a China pode ordenar compras por estatais de grãos para agradar o presidente dos EUA, Donald Trump, antes de sua visita à China em abril, segundo operadores e analistas.

O contrato de referência da soja na CBOT ficou próximo de uma máxima de dois meses, sustentado pela expectativa de demanda chinesa. Trump afirmou que a China planeja adquirir até 20 milhões de toneladas na temporada atual, em conversa com Xi Jinping.

A China não respondeu a pedidos de comentário. Estatais Sinograin e Cofco já compraram cerca de 12 milhões de toneladas dos EUA desde outubro, pagando quase US$ 100 milhões a mais do que o que pagariam pela soja brasileira, com base nos preços de mercado.

Diferença de preços aumenta

O repique de preços da soja norte-americana amplia a diferença com o Brasil, forçando compradores a pagar prêmios maiores. A soja para embarque em abril estava entre US$ 2,08 e US$ 2,48 por bushel acima do contrato de maio na CBOT, já incluindo custo e frete para a China.

Em comparação, os embarques brasileiros tinham prêmios entre US$ 1,18 e US$ 1,33 por bushel. O spread entre Brasil e EUA fica em torno de US$ 50 por tonelada, segundo traders consultados.

Com isso, a China poderia gastar até US$ 400 milhões a mais para adquirir oito milhões de toneladas dos EUA do que para as cargas brasileiras.

Esmagadoras privadas não entram no mercado

Mesmo com a paridade de preços, é improvável que esmagadoras privadas comprem soja dos EUA, devido à tarifa de 13% sobre a soja norte‑americana, frente 3% sobre as cargas brasileiras. Operadores apontam que as esmagadoras privadas chinesas não compraram nenhuma carga norte‑americana na temporada iniciada em setembro.

As margens de esmagamento em Rizhao, principal centro de processamento da China, continuam negativas desde agosto. Desde dezembro, a Sinograin realizou quatro leilões para vender cerca de 2 milhões de toneladas de soja importada das reservas, liberando espaço para remessas norte‑americanas.

Especialistas indicam que mais leilões podem ocorrer após o feriado do Ano Novo Lunar. Os próximos movimentos visam equilibrar ofertas e manter a demanda chinesa estável diante das condições de mercado.

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