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Austrália manterá uso de Paraquat, apesar de proibições em 70 países

Australia mantém paraquat com restrições de uso para reduzir exposição de trabalhadores, apesar de debate sobre relação com Parkinson

Harvesting wheat in South Australia. The herbicide paraquat will remain legal despite concerns about the health impacts on farmers and workers.
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  • A APVMA manteve o uso do paraquat na Austrália, mas com restrições mais rígidas para reduzir a exposição de trabalhadores, aves e mamíferos.
  • As mudanças incluem o fim do uso de pulverizadores de mochila, sistemas fechados de mistura e carregamento e equipamento de proteção adicional.
  • A aplicação máxima permitida passou de 1.150 g por hectare para 231 g por hectare; a aplicação por meio de pulverização localizada assistida por tecnologia pode chegar a 30% da área total.
  • A decisão ocorre após décadas de avaliação; não foi estabelecida relação causal entre paraquat e doença de Parkinson, embora haja evidências de impactos na exposição de trabalhadores e no ambiente.
  • Cerca de 70 países proíbem o paraquat; defensores da saúde pública e Parkinson’s Australia questionam a consistência regulatória na Austrália.

O herbicida paraquat seguirá sendo legal na Austrália, apesar de recomendações de grupos de Parkinson, cientistas e neurologistas sobre possível associação entre exposição direta e a doença. A decisão final foi anunciada pela Australian Pesticides and Veterinary Medicines Authority (APVMA) nesta terça-feira.

A APVMA manteve o uso, porém com condições mais restritivas para reduzir a exposição de trabalhadores rurais, aves e mamíferos. Entre as medidas, está a eliminação gradual de pulverizadores de mochila e a implementação de sistemas de mistura e carregamento fechados.

Paraquat é amplamente utilizado na agricultura australiana, especialmente em lavouras de grãos, cana-de-açúcar, algodão e horticultura. A decisão segue décadas de análise e uma revisão de centenas de estudos científicos.

Segundo a APVMA, não foi possível estabelecer um vínculo causal entre paraquat e Parkinson, mesmo após longa avaliação de dados. Contudo, houve evidências de impactos na exposição ocupacional e no ecossistema local.

As novas regras limitam as taxas de aplicação e usos permitidos. A taxa máxima passa a 231 gramas por hectare, ante 1.150 g/ha, com exceção para pulverização localizada assistida por tecnologia, que pode atingir 30% da área total.

Especialistas argumentam que a regulação australiana difere de países que adotam a abordagem de precaução. Em alguns lugares, o paraquat está proibido, enquanto outros mantêm o uso com controles mais rígidos.

Pesquisadores australianos afirmam que há consenso global sobre relação entre exposição ao paraquat e Parkinson. A APVMA, no entanto, manteve o foco em dados populacionais e na proteção de trabalhadores.

A Parkinson’s Australia expressou decepção com o resultado, enquanto autoridades destacam salvaguardas científicas para proteger usuários e o meio ambiente. A discussão sobre riscos permanece ativa no país.

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