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Rituais de alimentação em enterro de dingos revelam laço entre povos e caninos

Enterro milenar de dingo na Austrália revela ritual de alimentação com conchas, destacando o vínculo entre dingos e povos First Nations

Barkindji custodian David Doyle lifts the first bone from a millennium-old dingo burial site in Kinchega national park. Dingoes ‘were a companion animal right up until colonisation’, he says.
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  • Encontrado um sítio de enterro de dingo com cerca de mil anos no parque nacional Kinchega, perto do Baaka (Darling River), em New South Wales.
  • Evidência de um ritual de “alimentação” do local com conchas de mexilhão, prática que não havia sido documentada arqueologicamente antes.
  • Datação por radiocarbono aponta enterro entre 916 e 963 anos atrás, com o montículo sendo incrementado por cerca de 500 anos depois pela comunidade Barkindji.
  • Pesquisadores destacam que o montículo foi criado no momento do enterro, sugerindo que os dois processos ocorreram juntos para sepultar o dingo no ambiente.
  • O dingo, macho de 4 a 7 anos, apresentava fraturas comuns em caças, indicando que foi cuidado pela comunidade; o sítio foi identificado pela primeira vez em 2000 pelos anciãos Barkindji.

O que aconteceu: um sítio de enterro de dingo com cerca de mil anos foi descoberta no oeste de New South Wales, no Kinchega National Park, próximo aos Menindee Lakes, às margens do Baaka, o Darling River. A pesquisa aponta para um possível ritual de alimentação do local com conchas de mexilhão ao longo de centenas de anos.

Quem está envolvido: a equipe liderada pela arqueóloga Dr. Amy Way, do Australian Museum e professora da University of Sydney, conduziu a análise. A contribuição dosedentes Barkindji, incluindo o mais velho Uncle Badger Bates, e de custodianos locais também foi fundamental para o trabalho. A investigação recebeu apoio da Australian Museum Foundation.

Quando e onde: o enterramento foi datado em radiocarbono entre 916 e 963 anos atrás, no contexto de um montículo de resíduos alimentares que foi ampliado por populações Barkindji por cerca de 500 anos após o enterro. O sítio fica junto ao Baaka, no Kinchega, na região oeste da NSW.

Por quê: a descoberta sugere que o dingo era cuidado pela comunidade local, recebendo cuidado médico e social após ferimentos. O animal, um macho de 4 a 7 anos, apresentava costelas quebradas e fratura na perna, sinais atípicos de tratamento contínuo. Tal interpretação indica um vínculo significativo entre humanos e caninos.

Contexto e desdobramentos

A pesquisa sustenta que o montículo de conchas foi alimentado ao longo do tempo, prática sem precedentes documentada arqueologicamente. Autores do estudo indicam que o ritual de alimentação pode ter continuidade geracional, mantendo a ligação entre a comunidade Barkindji e o dingo.

Além de ampliar o alcance geográfico da prática, o estudo ressalta o papel cultural e ecológico dos dingos. Especialistas consultados destacam a importância histórica e o valor cultural desses animais para as populações indígenas, bem como a necessidade de abordagens mais equilibradas na gestão de dingos em áreas naturais.

O trabalho, financiado pela Australian Museum Foundation, também recupera dados sobre a relação entre dingos e a vida cotidiana em tempos pré-coloniais. A pesquisa atual complementa evidências de enterros de dingos em outras regiões do país, oferecendo nova perspectiva sobre o vínculo humano-animais.

Contribuições adicionais de especialistas apontam que a maioria dos dingos permanece na vida selvagem, com significância ecológica e cultural alta. A discussão pública sobre políticas de manejo de dingos em parques nacionais tem ganhado impulso, buscando conciliar proteção de fauna, segurança de animais de criação e reconhecimento cultural.

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