- O meteorologista Glauber Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia, diz que não é possível cravar em maio de 2026 a existência de um “super El Niño” ou de uma força muito alta do fenômeno.
- Modelos internacionais indicam possibilidade de El Niño nos próximos meses, mas ainda não há segurança sobre a intensidade ou sobre a nomenclatura, que não é técnica.
- Ferreira explica que março a julho é fase de transição na modelagem climática, o que reduz a previsibilidade; avaliações mais confiáveis devem sair apenas em julho ou agosto.
- A NOAA mostrou aumento nas probabilidades de formação de El Niño até julho, passando de cerca de 62% em abril para 82% na primeira semana de maio; isso gerou alarmismo, mas não há confirmação de intensidade.
- O Inmet trabalha com previsão sazonal (até três meses) e ressalta que, no momento, não utiliza modelos climáticos de longo prazo; notícias de “super El Niño” são consideradas sensacionalismo por especialistas.
Em meio ao compartilhamento de vídeos alarmistas sobre um “super El Niño”, o meteorologista Glauber Ferreira, do Inmet, afirma que ainda não é possível prever a intensidade do fenômeno. A cautela é suficiente para evitar afirmações categóricas.
Ferreira explica que modelos internacionais indicam a possibilidade de El Niño nos próximos meses, mas não há segurança para cravar a força ou mesmo a existência de um “super El Niño”. A palavra desconhece categoria técnica definida.
O período de março a julho é considerado de transição na modelagem climática, com previsibilidade menor. Apenas em julho ou agosto a equipe científica pode fornecer avaliações mais confiáveis sobre a intensidade esperada.
Para o especialista, haveria risco de sensacionalismo ao promover o tema sem base técnica. Influenciadores sem formação na área teriam usado o tema para ganhar audiência, sem respaldo científico sólido.
Contexto técnico
As previsões de modelos internacionais, como NOAA e centros europeus, apontam probabilidade de eventos de intensidade moderada, forte ou muito forte. No entanto, não há consenso sobre qual categoria deverá dominar.
A incerteza decorre justamente do período de transição entre março e julho, quando fenômenos atmosféricos e oceânicos reduzem a confiabilidade das projeções. O consenso aponta para maiores certezas a partir de julho e agosto.
O El Niño é uma variável natural do clima; o termo “super El Niño” não é reconhecido como categoria técnica. Historicamente, o último El Niño muito forte ocorreu em 2015, com impactos em várias regiões.
Impactos e monitoramento
O Inmet realiza previsão sazonal de chuva e temperatura para até três meses, diferente das projeções internacionais que cobrem horizontes maiores. A autoridade brasileira acompanha, sobretudo, os impactos na agricultura.
Se houver alterações significativas na intensidade, o Inmet afirma que isso será comunicado com antecedência, dentro da janela de previsibilidade. Enquanto isso, o alerta permanece voltado à prudência.
O meteorologista também aponta que o aumento de repercussão nas redes pode estimular decisões públicas positivas, desde que embasadas em ciência. Já a desinformação, segundo ele, tende a agravar o clima de pânico.
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