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Cinco ucranianos contam como a guerra os mudou

Guerra transforma homens ucranianos: trauma, novos vínculos e desafios familiares marcados por sacrifícios e mudança de identidade

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  • A invasão da Rússia à Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, obrigou homens de várias idades a irem para a linha de frente, muitos sem experiência em combate.
  • Valentyn Polianskyi, 24, ex-marin e alfaiate, foi capturado pelos russos em Mariupol e passou anos sob violência; hoje trabalha ajudando ex-prisioneiros e busca lidar com traumas pela poesia e pela meditação.
  • Henadii Udovenko, 53, empreendedor e comandante, perdeu a perna em combate, retornou à luta e afirma que a guerra o tornou mais forte; relata tensões entre homens e mulheres no relacionamento.
  • Denys Monastyrskyy, 29, veterano e instrutor, teve dedos dilacerados por estilhaços; voltou a treinar recrutas e fala sobre a camaradagem entre soldados e o custo humano da guerra.
  • Masi Nayyem, 41, advogado afegão-ucraniano e refugiado, cofundou um centro de assistência a veteranos; fala sobre impactos nas relações e na necessidade de apoio psicológico e políticas para militares feridos.
  • Alex Tomkin, 35, produtor de vídeo e DJ, mudou após a guerra: ganhou confiança interior, percebe mudanças nas relações com mulheres e admite ter visto o conflito como um divisor que redefine prioridades.

A invasão russa na Ucrânia forçou homens de várias idades a irem à linha de frente, muitos sem experiência anterior de combate. O repórter acompanhou cinco soldados para entender como a guerra mudou suas vidas, relações e perspectivas.

Valentyn Polianskyi, 24, poeta, alfaiate e ex-prisioneiro, cresceu no entorno de Kherson. Antes do conflito, adorava costurar, atividade que via como feminino. Irmão de paradeiro, ele se viu no front de Mariupol, na usina Illich, em 2022. Após o início da ofensiva, foi capturado pelos russos e ficou preso cerca de três anos, passando por maus-tratos. Ao voltar, descobriu que se tornou pai e marido, mas revela que a relação com a mulher mudou e que a filha ainda busca compreendê-lo. Hoje trabalha com uma ONG que assiste ex-prisioneiros e, apesar da serenidade, admite sentimentos de agressividade contidos e busca equilíbrio com meditação e poesia.

Henadii Udovenko, 53, construtor e comandante, já administrava uma empresa de obras antes da guerra. Ao perceber o risco, decidiu se alistar, indo a Kyiv no dia da invasão. Em pouco tempo comandou uma unidade e foi ferido em trincheiras em 2023, perdendo a perna. Optou por retornar ao combate assim que possível, motivado pela necessidade da equipe. Afirma que a guerra aproximou a família, mas trouxe ruídos entre homens e mulheres, com muitos conflitos e expectativas diferentes. Enxerga a Rússia como país-prisão e ressalta que o inimigo direto são os que enfrentam no front, não o povo russo.

Denys Monastyrskyy, 29, gamer, atirador e instrutor de armas, começou na carreira militar em 2014, aos 17 anos. Perdeu dois dedos de uma mão por estilhaços durante o conflito; o episódio o levou a requalificar-se como instrutor. Conta que perdeu muitos amigos e que, mesmo assim, não se arrependia de estar onde pertence. Afirma que a experiência reforçou laços entre os colegas, mais fortes do que laços de sangue, e observa que o impacto da guerra se estende às relações, com mulheres e homens enfrentando dificuldades de comunicação após a volta.

Masi Nayyem, 41, advogado refugiado afogano-ucraniano, serviu como paraquedista em Donbas e voltou à ativa com a invasão de 2022. Relata que, no front, o círculo de confiança entre companheiros ganha peso maior que laços familiares. Registra que perdas físicas e psicológicas moldam o cotidiano, com uma visão de que é preciso lutar para manter a dignidade. Hoje cofundador de um centro de assistência jurídica aos veteranos, ele defende políticas públicas que atendam aos feridos e aponta a dificuldade de apoiar saúde mental entre os retornados.

Alex Tomkin, 35, produtor de vídeos, DJ e soldado, relata o medo de ir para a linha de frente. Em 2022, deixou Kyiv para trabalhar como DJ em Odesa, sendo abordado por militares que o incorporaram ao serviço. Diz que a experiência o tornou mais confiante internamente, ensinando a tomar decisões sob pressão. Observa que o afastamento de mulheres cria uma sensação de distância, e que a convivência em tempo de guerra revela quem vale a pena ao lado. Relata que o ritmo intenso de serviço reduziu o espaço para romance, levando-os a buscar relações mais estáveis depois.

O conjunto de relatos mostra que a guerra transformou a vida de cada um de formas distintas, mas com pontos comuns: disciplina acentuada, vínculos fortalecidos entre companheiros, e impactos profundos nas relações afetivas. A experiência também reforça debates sobre saúde mental, apoio a veteranos e reconstrução de relações familiares no pós-conflito.

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