- O ministro das Relações Exteriores da Etiópia acusou a Eritreia de agressão militar e de apoiar grupos armados dentro do território etíope, conforme uma carta de 7 de fevereiro vista pela Reuters e verificada pelo ministério.
- Os dois países, que travaram guerra entre 1998 e 2000, assinaram acordo de paz em 2018 e foram aliados durante o conflito na região de Tigray, no norte.
- A Eritreia não foi parte do acordo de 2022 que encerrou o conflito em Tigray, e as relações entre as nações estão tensas desde então.
- A carta afirma que forças eritréias ocuparam trechos do território etíope por longo período e forneceram apoio a grupos militantes dentro da Etiópia, pedindo retirada imediata e fim à cooperação com esses grupos.
- Gedion Timothewos mencionou sinais de escalada, citando manobras militares conjuntas entre forças eritréias e grupos armados etíopes na região fronteiriça nordeste.
- Addis Ababa está aberta ao diálogo desde que Eritreia respeite a integridade territorial e demonstre boa-fé nas negociações, inclusive sobre aquisições marítimas via o porto de Assab.
Ethiopia acusa Eritreia de agressão militar e apoio a grupos armados em território nacional. A denúncia partiu de uma carta do Ministro das Relações Exteriores etíope, Gedion Timothewos, ao correspondente eritreu, na última segunda-feira, 7 de fevereiro. O documento afirma que tropas eritreias ocupam faixas do território etíope por período prolongado e apoiam militantes locais.
A carta diz ainda que a incursão de tropas eritreias representa agressão, pedindo a retirada imediata e o fim da cooperação com os grupos armados. Gedion aponta que o incidente aponta para escalada, citando manobras militares conjuntas entre forças eritreias e facções etíopes próximas à fronteira nordeste.
O Eritreia reagiu, informando que autoridades avaliam se a carta chegou ao ministério das Relações Exteriores. O governo de Abiy Ahmed já enfrentou críticas pela postura sobre o acesso ao mar, tema sensível após a independência de 1993. O país mantém diálogo aberto, segundo a carta, desde que haja respeito à integridade territorial.
Contexto e próximos passos
A tensão ocorre em meio a fendas recentes entre autoridades de Addis Abeba e Asmara, com histórico de conflito entre os dois países. As partes não assinaram acordo de 2022 que encerrou o conflito na região de Tigray. Recentes choques entre forças tigray e tropas federais alimentam receios de nova escalada militar.
Ethiopia afirma manter disposição para negociar de boa fé sobre interesses mútuos, incluindo questões marítimas e acesso ao Mar Vermelho via o porto de Assab, caso haja reconhecimento da integridade territorial etíope. A situação exige verificação de fontes oficiais para confirmar a dimensão da ocupação.
As informações foram coletadas por correspondentes em Addis Ababa e Nairobi. O material foi revisado pelas equipes editoriais para garantir precisão e neutralidade.
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