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Nômades sudaneses presos: guerra alimenta banditismo e divisões étnicas

Nômades árabes do Sudão ficam presos no deserto diante de banditismo e tensões étnicas após a guerra, ameaçando seus meios de subsistência

Nomadic herders sitting on a bed made of tree trunks inside their tent, North Kordofan
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  • Famílias nômades árabes ficaram presas no deserto perto de al-Obeid, Sudan, diante da guerra que começou em 2023 e de tensões étnicas.
  • O conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) deixou quase 14 milhões de pessoas deslocadas e agravou fome e doenças.
  • Al-Obeid, capital de North Kordofan, foi palco de alguns dos combates mais intensos do conflito nas últimas semanas.
  • Os nômades também enfrentam saques de gado e risco de violência, alimentados pela hostilidade étnica propagada em redes sociais.
  • A RSF, originária dos Janjaweed, nega genocídio e afirma que os responsáveis por abusos serão punidos; especialistas defendem programa nacional de reconciliação e lei para conter o ódio.

Gubara al-Basheer e a família percorriam o deserto de Sudão com seus camelos, movendo-se entre mercados, fontes de água e pastagens. Hoje, estão presos ao redor de al-Obeid, ameaçados por bandidos e tensões étnicas alimentadas pela guerra.

O conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) expulsou quase 14 milhões de pessoas, provocando deslocamentos, episódios de violência étnica, fome e doenças. O desequilíbrio na posse de terras e rotas de animais atingiu os nomads da região.

Al-Obeid é a segunda maior cidade do país e capital do Estado de North Kordofan, que tem registrado os combates mais intensos nos últimos meses. Diversos moradores dizem estar cercados por hostilidade crescente e desconfiança entre comunidades.

Segundo Ibrahim Jumaa, pesquisador local, a situação dos nômades piora com a violência que se espalha, muitas vezes fortalecida por redes online. A ausência de rotas seguras impede a movimentação tradicional de gado e mercadorias.

Entre as preocupações, há também o aumento do roubo de animais. Hamid Mohamed, outro pastor, afirma que não há mais espaço seguro para circular e que a cidade fica cada vez mais vulnerável a ataques. A RSF nega responsabilidade por abusos étnicos e afirma que responsabilizará os culpados.

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