- Forças de segurança à paisana prenderam milhares em uma campanha de intimidação para impedir novos protestos.
- Os protestos começaram no Grand Bazaar de Teerã, por dificuldades econômicas, e se ampliaram para cobrar a saída dos líderes clericais.
- Autoridades cortaram o acesso à internet e utilizam força ostensiva; há relatos de detidos em locais secretos.
- A contagem de mortes, segundo o grupo HRANA, chega a 6.373 (5.993 manifestantes, 214 agentes, 113 menores e 53 terceiros); prisões somam 42.486.
- Familiares, advogados e médicos dizem que dezenas de jovens estão entre os detidos e que muitos não sabem onde estão ou o status de seus entes queridos.
Plainclothes security forces no centro do poder iraniano prenderam milhares de pessoas em uma campanha de intimidação para desencorajar novos protestos, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Os protestos, iniciados no mês passado no Grand Bazaar de Teerã por dificuldades econômicas, ganharam fôlego com descontentamento mais amplo e desafiaram a teocracia xiita há quase cinco décadas.
As autoridades cortaram o acesso à internet e empregaram força excessiva para conter os episódios, com organizações de direitos humanos atribuindo milhares de mortes. Teerã acusa “terroristas armados” de ligações com Israel e EUA.
Em poucos dias, forças de segurança sem distintivos lançaram uma onda de prisões acompanhada de maior presença policial em checpoints, segundo cinco ativistas que falaram sob anonimato.
Detações teriam ocorrido em locais secretos, com relatos de detidos mantidos fora de áreas públicas. Um ativista descreveu uma estratégia de medo para evitar retorno das manifestações.
Relatos de advogados, médicos, testemunhas e dois funcionários anônimos corroboraram a ação como forma de impedir eventual renascimento dos protestos, ao mesmo tempo em que ganham pressão externa sobre o governo.
Pessoas detidas não teriam apenas ligadas aos protestos recentes; há registros de prisões de indivíduos já detidos em movimentos anteriores, inclusive familiares, segundo as fontes.
A contagem oficial de mortos, segundo a HRANA, soma 6.373 desde o início dos protestos, com 5.993 manifestantes, 214 membros das forças de segurança, 113 menores e 53 leigos. As prisões já somam 42.486, conforme a HRANA.
O Judiciário alertou que quem cometer sabotagem, incêndios ou confronto armado pode enfrentar pena de morte, elevando o tom de repressão.
A Reuters apurou também que centenas de detidos permanecem em centros não oficiais, como galpões e locais improvisados, com o processamento de casos pela Justiça ocorrendo rapidamente.
Autoridades públicas não comentaram o número de prisões nem a localização dos detidos relacionados aos acontecimentos, mas reiteraram o total de mortos divulgado no dia 21 de janeiro.
Organizações de direitos humanos lançaram críticas à militarização das prisões, com relatos de detenções arbitrárias, desaparecimentos e restrições a atividades legais das famílias das vítimas.
Segundo advogados entrevistados, dezenas de famílias buscaram ajuda para familiares detidos, incluindo menores de idade. Profissionais de saúde relataram prisões de médicos e enfermeiros que auxiliaram feridos.
Familiares de detidos disseram enfrentar incertezas quanto ao paradeiro de seus entes, com relatos de buscas invasivas e perda de acesso a meios de comunicação e itens pessoais.
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