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Estudo quantifica impacto da caça nas aves limícolas migratórias

Estudo aponta caça como fator significativo no declínio de aves costeiras migratórias na East Asian-Australasian Flyway; recomenda monitoramento regional

Banner image of a critically endangered Spoon-billed sandpiper (Calidris pygmaea), a small wader that has an estimated less than 500 breeding population in the wild. Image by Yann Muzika
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  • Estudo novo aponta que a caça pode ter impacto maior sobre aves costeiras migratórias no East Asian-Australasian Flyway, que abrange vinte e dois países na região Ásia-Pacífico.
  • O corredor migratório recebe mais de cinquenta milhões de aves aquáticas de mais de duzentas cinquenta populações, com dezenas de espécies utilizadas no inverno.
  • A pesquisa, que analisou registros desde mil setecentos até dezembro de dois mil e dezessete, revela caça disseminada na região, em oposição ao que se pensava sobre a sua escala.
  • Foram compilados dados de cento e sete documentos de cento e sessenta e cinco locais em catorze países, identificando measures de caça para várias espécies, incluindo espécies ameaçadas.
  • Entre os destaques, três áreas têm dados mais robustos: Delta do Yangtze (China), Baía de Pattani (Tailândia) e Java Ocidental (Indonésia); também há evidências de impactos sobre espécies como o Spoon-billed Sandpiper.

O estudo quantifica o impacto da caça sobre aves costeiras migratórias no East Asian-Australasian Flyway (EAAF), uma importante rota que vai do Ártico à Austrália. Pesquisas apontam que mais de 50 milhões de aves aquáticas de mais de 250 populações utilizam esse corredor migratório.

A análise revela que a caça, realizada por meio de tiro, armadilães e envenenamento, pode influenciar mais o conjunto de populações do que se pensava. A pesquisa reúne dados de 22 países da rota migratória.

Participaram do estudo Eduardo Gallo-Cajiao, da Universidade de Queensland, e mais 15 pesquisadores, com revisão de centenas de trabalhos. O objetivo é entender a escala da caça ao longo do flyway para orientar ações de conservação.

Metodologia e principais achados

O grupo estudou 107 documentos de 165 locais em 14 países, cobrindo ao menos 46 espécies. Os registros foram divididos em era histórica (até a década de 1960) e contemporânea (de 1970 a 2017). As informações, nem sempre detalhadas, evidenciam caça generalizada na região.

Foram identificados locais com dados mais robustos, como o Delta do Yangtze, na China; a Baía de Pattani, na Tailândia, e a Java Ocidental, na Indonésia. Esses pontos ajudaram a mapear padrões de caça ao longo do tempo.

O esforço aponta que a caça está presente há décadas e pode ter impacto relevante nas populações que utilizam o EAAF. A falta de métricas padronizadas dificulta avaliar a sustentabilidade da prática.

Entre as espécies ameaçadas mencionadas, cinco são destacadas, incluindo o ultimamente criticamente ameaçado andorinha-lopa, além do filo curlew do Extremo Oriente, o greenshank e o great knot. A pesquisa sugere que a caça pode contribuir para o declínio de espécies vulneráveis.

Desdobramentos e caminhos

O estudo indica a necessidade de monitoramento coordenado em nível de flyway, com colaboração entre governos, ONGs e comunidades locais. Medidas locais podem ser efetivas, desde que integradas a políticas de alcance regional.

Caso a caça permaneça como ameaça relevante, é essencial não deixar de fora comunidades que dependem da caça para subsistência. A adaptação de estratégias de conservação a contextos nacionais se mostra fundamental.

O trabalho ressalta ainda que iniciativas de conservação, como projetos de Bangladesh que reduziram armadilões de migratórios, mostraram resultados positivos ao oferecer meios de subsistência alternativos.

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