- A Sloth Conservation Foundation instala pontes de corda para ligar árvores e facilitar o deslocamento de preguiças, começando pela ponte de número 114 na costa sul do Caribe da Costa Rica.
- Ana Baltodano e Michael Chizkov pediram a ponte para conectar árvores em frente à casa deles; a instalação pode levar horas.
- Comunidades locais acompanham o projeto e pedem colaboração para que a wildlife possa se mover entre áreas habitadas, diante de desmatamento ilegal na região.
- Em pontes já instaladas, câmeras registraram uso por diversas espécies, incluindo macacos-prego e gambás, demonstrando o papel das estruturas como corredores biológicos.
- Especialistas destacam a degradação florestal como ameaça contínua, com desmatamento de patches pequenos e pressão econômica sobre proprietários de áreas de floresta.
Na Costa Rica, uma rede de pontes de tecido para perezosos avança como resposta à fragmentação de habitats. Todos os dias, Anna Baltodano e Michael Chizkov observam a floresta do entorno, buscando animais que precisam de caminhos seguros entre as árvores. Hoje, eles preparam a instalação da ponte de número 114.
A iniciativa é conduzida pela Sloth Conservation Foundation, com apoio de voluntários locais. Tamara Ávila e colegas trabalham para ligar áreas arborizadas que ficaram isoladas pela urbanização, permitindo que perezosos se desloquem sem descer ao solo. O projeto já conectou várias áreas próximas à residência do casal.
A cada ponte instalada, a equipe registra o uso por diferentes espécies, incluindo macacos e marsupiais, o que fortalece a ideia de corredores biológicos. Em alguns trechos, câmeras acionadas por armadilhas ajudam a mapear a presença de animais nas travessias.
— Comunidades locais reconhecem o problema e pedem cooperação para que a vida selvagem tenha passagem, afirma Francisco Rodríguez, gerente da fundação. A fragmentação aumenta problemas genéticos entre indivíduos isolados, destacam pesquisadores.
Na região sul da Costa Rica, o desmatamento de pequenos mosaicos florestais persiste. Especialistas apontam que a degradação florestal cresce, embora haja queda no desmatamento em larga escala nos últimos anos. Atinge especialmente áreas periféricas de florestas, dificultando a conectividade.
A construção das pontes busca criar uma rota contínua entre bosques urbanos e refugos naturais, conectando trechos que hoje estão separados. A estratégia inclui planejamento cuidadoso para evitar perigos como cabos de energia e vias de tráfego.
Segundo especialistas, a presença de corredores facilita a movimentação de diversas espécies, além dos perezosos. Em monitoramento com armadilhas e rastreamento por colar, a equipe já acompanhou o uso das passagens por 14 animais diferentes, incluindo macacos de troncos e marsupiais.
Pesquisadores destacam o papel de políticas públicas no apoio a these iniciativas. A regulação ambiental mais firme, aliada a práticas de conservação comunitária, é vista como essencial para manter os corredores ao longo do tempo e promover ganhos econômicos por meio do turismo.
No dia a dia, moradores e visitantes veem os perezosos atravessarem as pontes improvisadas, muitas vezes próximo a praias e áreas urbanas. O objetivo é manter a presença desses mamíferos na região, garantindo abrigo, alimento e repetibilidade de passagens entre árvores.
Conservação e convivência
A equipe segue ampliando o projeto Connecting Gardens, com planos de novas pontes e plantio de árvores frutíferas nativas. A ideia é ampliar a conectividade ecológica até chegar a áreas de proteção como reservas e corredores costeiros.
A liderança do projeto ressalta que a colaboração entre comunidades, governos e organizações é crucial para o sucesso. A meta é promover coexistência entre desenvolvimento econômico local e preservação da biodiversidade da região.
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