- No Centro de África, equipes anti-caça foram criadas no Parque Nacional Dzanga-Sangha, reduzindo consideravelmente a caça de elefantes para o marfim; trabalho com comunidades locais e planejamento de uso da terra ajudaram.
- Quase metade dos elefantes-florestais da África Central deve estar no Gabão.
- Existem cerca de mil gorilas-das-montanhas no mundo, com aumento de cerca de 3% ao ano entre 2010 e 2016, principalmente em Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo.
- Desafios persistem para elefantes e gorilas, como caça, perda de habitat, doenças como o vírus ebola e mudanças climáticas, que dificultam a sobrevivência.
- O Relatório Planeta Vivo da WWF aponta queda de setenta e seis por cento da fauna africana nos últimos cinquenta anos, com maior impacto em ecossistemas terrestres e na água doce; a Congo Basin recebe muito menos financiamento que a Amazônia e o Sudeste Asiático.
O relatório Living Planet da WWF traz sinais de alívio para a conservação de florestas, com a possibilidade de estabilização de populações de elefantes na África Central, em pelo menos um parque nacional, graças a esforços de conservação e à participação de povos indígenas e comunidades locais.
A WWF África informou durante um briefing de imprensa para o lançamento do relatório que, apesar da queda prolongada da população de elefantes, há indicativos de melhoria em locais específicos. No Parque Nacional Dzanga-Sangha, na República Centro-Africana, equipes anti-caça reduziram significativamente a caça de elefantes para o ivory, uma das causas históricas da queda. A atuação envolve também comunidades locais e planejamento de uso da terra.
Cerca de metade de todos os elefantes de floresta da África Central acredita-se residentes em Gabão, destacando a importância de políticas regionais. Em contrapartida, o mundo abriga pouco mais de 1000 gorilas-das-montanhas, com aumento anual de cerca de 3% entre 2010 e 2016, segundo o relatório.
A recuperação dos gorilas-de-montanha é atribuída a ações de manejo de áreas protegidas, envolvimento comunitário, monitoramento de grupos habituados e intervenções veterinárias no Massif Virunga, segundo a WWF. O documento ressalta que o avanço é um exemplo de que a conservação de primatas pode apresentar resultados.
A WWF aponta que a conservação de elefantes e gorilas na África enfrenta múltiplos desafios, como a caça de ivory e caça de subsistência, que afetam as populações. A perda de habitat por desmatamento, agricultura e mineração agrava o problema e aumenta conflitos com a vida selvagem, conforme comenta Martin Kabaluapa, diretor regional para a Bacia do Congo.
A planet in peril
O Living Planet Report mostra queda de 76% nas populações de vida selvagem na África nos últimos 50 anos, afetando mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes. Ecossistemas de água doce registraram retração de 85%, devido à construção de barragens, sobrepesca, poluição e extração de água.
Deflorestamento, mudança no uso da terra e sobrepastejo são as principais causas de declínio em 69% dos ecossistemas terrestres globais. O informe alerta para pontos de virada perigosos na África decorrentes da perda de natureza e das mudanças climáticas, com janela de cinco anos para ações.
Kabaluapa reforça que a biodiversidade africana clama por ação urgente, diante de crises interligadas de perda de natureza e mudanças climáticas. As consequências da perda de espécies valiosas, como elefantes e gorilas, teriam impactos globais.
Financiamento para a sustentabilidade
O relatório associa o risco planetário à insuficiência de financiamento, com recursos públicos e privados ainda direcionados a práticas que prejudicam ecossistemas. Estima-se que quase US$ 7 trilhões anuais vão para subsídios e incentivos que aumentam as mudanças climáticas, e apenas cerca de US$ 200 bilhões vão para soluções baseadas na natureza.
Jonas Kemajou, gerente de financiamento de paisagens da Tridom, afirma que a natureza é frequentemente desconsiderada ou valorizada em zero, o que compromete a sustentabilidade. O documento aponta que os padrões de financiamento não acompanham o valor dos recursos naturais e dificultam a conservação.
Apesar do leve avanço dos gorilas-das-montanhas, há preocupação com o ritmo de declínio e impactos potenciais no futuro da espécie. O relatório defende transformar o sistema financeiro mundial para apoiar a sustentabilidade ambiental e enfrentar as mudanças climáticas.
A diferença de investimento entre ecossistemas é marcada: o Congo Basin recebe muito menos recursos que a Amazônia ou as florestas do Sudeste Asiático. Em 2021, essas últimas duas regiões receberam cerca de US$ 1 bilhão cada uma, enquanto o Congo Basin recebeu apenas US$ 40 milhões, segundo dados da WWF.
Para colmatar lacunas de financiamento, o estudo sugere duas estratégicas: financiar atividades verdes, com investimentos em negócios que valorizem a natureza, e tornar finanças mais verdes, alinhando práticas financeiras com metas de sustentabilidade.
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