- A Global Biodiversity Standard (TGBS) foi criada para certificar projetos de restauração de florestas que apresentem ganhos mensuráveis em biodiversidade, lançado oficialmente em dois mil e vinte e quatro.
- A avaliação combina imagens de satélite, levantamentos no terreno e análise de oito critérios, incluindo integridade do ecossistema, proteção e participação das comunidades locais.
- A certificação pode emitir status standard, advanced ou premium, com avaliação pela secretaria do TGBS, sediada no Gardens Conservation International, e auditoria independente.
- O sistema funciona com hubs regionais — muitas vezes jardins botânicos ou organizações locais de biodiversidade — para fazer avaliações de campo e oferecer mentoria, mantendo custos baixos.
- Em Uganda Ocidental, o projeto liderado pela Jane Goodall Institute, com apoio da Ecosia, foi o primeiro a alcançar certificação advanced, mostrando aumento de plantas nativas, aves dependentes da floresta e melhoria na relação entre restauração e meios de subsistência.
O debate sobre restauração florestal ganhou contornos mais rigorosos. A plantação de árvores virou resposta a perdas ambientais, com metas ambiciosas anunciadas por governos e empresas. No entanto, a escolha de espécies e locais pode afetar biodiversidade e clima.
Especialistas destacam que promessa nem sempre corresponde a benefício ecológico. Estudos mostram que áreas prometidas para restauração não seguem, muitas vezes, critérios de conservação. A prática precisa ser diferenciada entre ganho real de biodiversidade e aparência administrativa de avanço.
Para enfrentar o problema, foi criado o Padrão Global de Biodiversidade, ou TGBS. Lançado oficialmente em 2024, ele certifica projetos que apresentam ganhos mensuráveis em biodiversidade. Prioriza resultados ecológicos e é voltado a projetos de menor porte.
A avaliação começa com evidências. Usa imagens de satélite e levantamentos locais para analisar plantas, animais e governança. Os locais recebem pontuação em oito critérios, como integridade do ecossistema, proteção e engajamento de partes interessadas.
A verificação é feita pela secretaria do TGBS, sediada pelo BGCI, e auditada por terceiros independentes. Dependendo do desempenho, os projetos podem obter certificação padrão, avançada ou premium.
Um diferencial do sistema são os núcleos regionais, muitas vezes jardins botânicos ou organizações locais de biodiversidade. Esses núcleos realizam avaliações de campo e orientam projetos, reduzindo custos e evitando modelos dependentes de consultores internacionais.
Esse formato foi testado na Uganda Ocidental, numa correção de corredor de vida silvestre entre as florestas Budongo e Bugoma. O projeto, apoiado por uma organização de busca por iniciativas sustentáveis, foi o primeiro a chegar à certificação avançada.
As avaliações perceberam aumento de espécies nativas e de aves que dependem da floresta. Também destacou a relação entre restauração e meios de subsistência locais, com participação direta da população envolvida.
Para financiadores, o apelo está na confiança gerada pela certificação e na mentoria oferecida pelo comunidade local. Projetos que não atingem o nível pretendido recebem orientações para melhoria, não rejeição imediata.
À medida que a restauração avança, o TGBS planeja ampliar o alcance com cautela. A premissa é simples: medir se a floresta sustenta vida, incluindo pessoas, e não apenas contar árvores.
A Organização de Botânica de Conservação, que hospeda a secretaria, aponta que o foco é evitar custos elevados e dependência de consultoria externa, fortalecendo o conhecimento local. O modelo busca equilíbrio entre rigor científico e viabilidade prática.
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