- Em agosto de 2025, Louis Nkembi, fundador da ERuDeF, foi sequestrado por milícias na região de Lebialem Highlands, Camarões, e ficou duas semanas escondido na floresta.
- O caso evidencia riscos enfrentados por cientistas, guardas florestais e conservacionistas que trabalham com apes em zonas de conflito, como Lebialem.
- O conflito entre governo e separatistas anglófonos desde 2016 provocou milhares de mortes e mais de 600 mil deslocados; a conservação entrou em colapso e o financiamento rodou a zero em 2017, retornando parcialmente em 2021.
- Milícias transformaram áreas protegidas em bases de operação, elevando ataques militares e prejudicando espécies como gorilas do Cross River e chimpanzés Nigeria-Cameroon, além de intensificar caça e tráfico.
- Com o aumento de refugiados em florestas, comunidades passaram a cultivar e caçar dentro de áreas protegidas; ONGs enfrentam queda de recursos e desconfiança de ambos os lados do conflito.
Louis Nkembi, fundador da ONG ERuDeF, foi sequestrado por milícias nas Terras Altas Lebialem, Camarões, em agosto de 2025. Ficou duas semanas escondido numa área secreta da floresta. Foi liberado, mas o episódio evidencia riscos para pesquisadores e conservacionistas na região.
A Lebialem é um hotspot de biodiversidade no sudoeste do país, abriga gorilas das Cross River, chimpanzés Nigeria-Cameroon, elefantes-florestais e diversas espécies ameaçadas. Nkembi dedica quase três décadas ao monitoramento e à conservação da área pela ERuDeF, fundada em 1999.
A crise começou em 2016, quando conflitos entre governo e milícias separatistas agravaram a situação. Milhares de civis morreram e centenas de milhares ficaram desabrigados, com impactos diretos sobre projetos de conservação e sobre a população local. O cenário prejudica o avanço de pesquisas na região.
Conservação, antes apoiada por ONGs, sofreu interrupções significativas a partir de 2017. Milhares de trabalhadores foram afastados e o financiamento encolheu. Em 2021, houve retomada tímida de recursos, mas o sequestro de Nkembi aumentou dúvidas de doadores sobre a continuidade dos trabalhos.
Especialistas ouvidos pela Mongabay indicam que o bloqueio de acesso aos dados de campo dificultou o monitoramento de espécies. Ocorrências de ocorrências de caça, desmatamento e deslocamento forçado intensificaram-se com a guerra, gerando um quadro de incerteza para gorilas, chimpanzés e outras espécies.
Para enfrentar o desafio, pesquisadores passaram a empregar cientistas cidadãos, moradores próximos aos parques, com câmeras-traps, GPS e planos de survey. A estratégia visa manter a coleta de informações mesmo em meio ao risco de violência e deslocamento.
Casos de civis vivos nos bosques ilustram o impacto humano do conflito. Muitos deslocados constroem moradias improvisadas dentro de florestas, mudando hábitos alimentares e modos de sobrevivência, com aumento de atividades de busca por alimentos na áreas protegidas.
O aumento de irregularidades, tráfico de animais e madeira também é citado por fontes locais. Milícias estariam transformando partes de áreas protegidas em bases operacionais, o que aumenta a pressão sobre a fauna nativa e complica a atuação de autoridades e organizações de conservação.
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