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Estudo de raias-jamanta gigantes durante conflito em Gaza, entrevista com Mohammed Abu Daya

Durante a guerra em Gaza, Mohammed Abu Daya mantém pesquisa remota sobre Mobula mobular, revelando migrações previsíveis no Mediterrâneo e implicações de conservação

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  • Mohammed Abu Daya, ecologista marinho de Gaza, estuda o mobula mobular, rai gigante em estado crítico, com pesquisas prejudicadas pela guerra na região.
  • Antes do conflito, há suporte de milhares de pescadores e uma indústria local; desde 2023, a pesca foi fortementeimpactada e as embarcações foram destruídas, dificultando o acesso ao mar.
  • Em 2025, ele coautorizou estudo com telemetria por satélite que mostrou migrações sazonais previsíveis no Mediterrâneo, com preferência pelas águas levantinas no final do inverno e início da primavera.
  • Em 2013, grande grupo de raias foi capturado próximo à costa de Gaza, o que estimulou parceria internacional para mapear pesca e conservação da espécie.
  • Mesmo deslocado e com infraestrutura danificada, ele continua colaborando remotamente com pesquisadores internacionais, buscando orientar políticas de conservação e manejo pesqueiro.

Mohammed Abu Daya, ecologista marinho baseado em Gaza, continua a pesquisar mobulas, apesar de a guerra recente ter devastado sua cidade e isolado o mar que ele estuda. Em maio de 2026, ele descreveu Gaza como uma prisão para dois milhões de pessoas, com infraestrutura destruída e vida difícil. Mesmo sem acesso ao oceano, ele mantém o trabalho remotamente.

Antes do conflito, Abu Daya lecionava em universidades palestinas e era pesquisador no Centro Nacional de Pesquisas de Gaza. Seu foco são as Mobula mobular, também conhecidas como giant devil rays, espécie criticamente ameaçada que pode atingir mais de 3,5 metros de largura. Ele faz parte de um grupo restrito de cientistas que estuda esses animais no Mediterrâneo.

Ao longo de três anos, o pesquisador perdeu moradia, escritório e acesso ao mar. Apesar disso, continua a analisar dados de anos anteriores, participa de conferências remotamente e assina publicações. Em 2025, publicou estudo sobre as rotas migratórias das mobulas através do Mediterrâneo.

Contexto da pesquisa e cooperação internacional

Abu Daya relembra que o Mediterrâneo abriga populações conectadas geneticamente entre o Atlântico, Caribe e Indo-Pacífico. A cooperação com especialistas internacionais fortalece a pesquisa que, historicamente, dependia de trabalhos no Mediterrâneo Ocidental. A colaboração com o italiano Giuseppe Notarbartolo di Sciara e outros pesquisadores tem gerado dados sobre a ecologia espacial da mobula no Mediterrâneo.

Em 2013, uma pesca maciça de mobulas perto de Gaza chamou atenção internacional e motivou um projeto financiado pela Save Our Seas Foundation. O objetivo era levantar informações básicas sobre a pesca dessas raias, métodos usados, horários de atuação das embarcações e condições de captura. Também houve ações de conscientização junto aos pescadores locais.

Principais aprendizados e impactos

Um dos resultados aponta que a pesca intensiva pode limitar a recuperação da espécie, que já pede proteções na região do Mediterrâneo. Em um estudo de 2016 a 2021, nove indivíduos foram acompanhados por meio de telemetria satélite, revelando migrações sazonais com predileção por águas levantinas no final do inverno e início da primavera.

Apesar das dificuldades, Abu Daya mantém a pesquisa por meio de acessos remotos e colabora com instituições internacionais para publicar dados sobre o tamanho corporal e o peso de mobulas, visando melhorar monitoramento e gestão pesqueira na região.

Situação atual e próximos passos

Hoje, Gaza enfrenta cortes de água, energia irregular e infraestrutura destruída. As universidades, bibliotecas e portos ficaram comprometidos, afetando atividades acadêmicas e de campo. Mesmo assim, o pesquisador continua com apresentações em conferências internacionais e desenvolve um manuscrito sobre a relação entre tamanho corporal e peso de raias em nível global.

Em meio ao cenário conflituoso, Abu Daya reforça a necessidade de manter a ciência como ponte de cooperação e resiliência. Ele aponta que a pesquisa deve seguir independentemente de contextos políticos, contribuindo para a conservação de espécies vulneráveis e para a gestão pesqueira regional.

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