- Autores Kenji Yoshino e David Glasgow afirmam que DEI morreu como acrônimo, mas o valor da igualdade ainda existe e precisa de um plano de sobrevivência.
- No livro How Equality Wins, eles sugerem estratégias como universalizar políticas de igualdade e substituir foco em grupos por conteúdo e regras que reduzam vieses.
- A obra destaca brechas legais abertas pela Suprema Corte dos Estados Unidos para manter iniciativas de igualdade, mesmo com limitações a ações afirmativas baseadas em raça ou gênero.
- O texto aponta exemplos recentes de disputas legais e investigações, como a EEOC envolvendo a Nike e o Departamento de Justiça processando Minnesota.
- Concluem que, mesmo com o fim de DEI como rótulo, a inclusão continua relevante no ambiente corporativo e acadêmico, especialmente diante da população cada vez mais diversa.
DEI fica para trás, a igualdade não: especialistas apontam caminhos para a sobrevivência da equalização em era trumpista
Duas professors de direito da NYU lançam o livro How Equality Wins, que propõe estratégias para manter a igualdade mesmo após o fim do DEI na cultura jurídica e corporativa norte-americana. A obra chega em meio a críticas e mudanças legais promovidas pela administração Trump.
Os autores Kenji Yoshino e David Glasgow defendem que o projeto de igualdade não acabou, apesar do fim da DEI como rótulo. Eles apresentam estratégias para manter práticas de equidade, sem depender de políticas sob ataque político ou de ações afirmativas questionadas.
Em entrevista ao Guardian, Yoshino afirma que DEI como acrônimo está morto, mas o valor subjacente da igualdade persiste. Glasgow acrescenta que o debate não deve se restringir a rótulos, e sim à promoção de oportunidades justas para todos.
Entre as propostas, destacam-se mudanças de foco para evitar litígios e reforçar o impacto real da inclusão. Uma estratégia é o que eles chamam de universalidade, mantendo programas de igualdade mesmo diante de restrições legais a ações baseadas em raça e gênero.
Outra ideia é a transição de coparticipação para conteúdo, ampliando o alcance de políticas inclusivas para além de grupos específicos. Assim, ações de diversidade ganham base legal mais ampla, com foco em resultados e direitos iguais.
Os autores discutem ainda a lacuna entre linguagem e prática, apontando que a DEI falhou ao criar cultura de vergonha do dissenso e ao travar debates sobre terminologias. Eles defendem diálogo aberto e foco em efeitos práticos.
O livro também analisa o contexto jurídico. Após a decisão que restringiu ações afirmativas, empresas e instituições enfrentam desafios para manter programas proeminentes, inclusive com investigações de órgãos federais sobre práticas discriminatórias.
Apesar do cenário adverso, Yoshino e Glasgow destacam passos concretos para promover justiça no ambiente corporativo e institucional sem depender de preferências discriminatórias, mantendo-se dentro de limites legais.
Os autores reforçam que o movimento continua relevante para a competitividade econômica. Estudo aponta que a sociedade norte-americana tende a se tornar maioria-minoria até 2040, com avanços em participação de mulheres no ensino superior e diversidade entre jovens.
A dupla conclui que a igualdade pode sobreviver como finalidade maior, desde que seja percebida como um compromisso público estável, não apenas como política passageira.
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