- Pesquisas globais da Ipsos em parceria com o King’s College London mostraram que cinquenta e um por cento? [Errado: celeridade] Na verdade, 31% dos homens da geração Z acreditam que a mulher deve obedecer sempre o marido; 21% dizem que ela nunca deve iniciar o sexo; 33% defendem que a mulher deve deixar o marido decidir sozinho em questões importantes.
- Os dados refletem médias entre culturas distintas e não dizem respeito ao que cada respondente quis dizer ou se o mesmo homem mantém visões opostas em diferentes temas.
- No Reino Unido, a desigualdade econômica está em alta: o preço médio de moradia fica em torno de 7,7 vezes o salário médio; desemprego entre jovens tem altas; diplomas não garantem salários melhores.
- Tem sido destacado o papel das redes sociais, com narrativas anti-feministas e o chamado “manosfera”, que apresentam mulheres como culpadas pelos problemas e alimentam ansiedades masculinas.
- Os pesquisadores dizem que as mudanças não ocorrerão apenas com prosperidade; é preciso criar empregos, aumentar salários e melhorar o padrão de vida dos jovens, além de uma mudança cultural em que homens jovens assumam responsabilidade por suas atitudes e reconheçam que a desigualdade atrasa o acesso a uma vida melhor.
O debate sobre igualdade de gênero ganhou contornos alarmantes entre jovens homens, segundo uma pesquisa global divulgada na semana passada. O estudo, realizado pela Ipsos em parceria com o King’s College London, aponta que 31% dos homens da geração Z defendem que a mulher deve obedecer ao marido, 21% dizem que ela não deve iniciar sexo e 33% concordam que o marido deve ter a palavra final em decisões importantes.
Os resultados indicam um conjunto de atitudes contraditórias. Embora parte dos jovens se identifique como feminista e veja mulheres bem-sucedidas como atraentes, há parcela que sustenta a sujeição feminina. A pesquisa não esclarece se as mesmas pessoas professam visões distintas ou se pertencem a grupos diferentes dentro da mesma amostra.
Outras pesquisas indicam um retrato mais complexo: entre jovens americanos, há maior desejo de se tornar pai do que entre mulheres da mesma faixa etária; e adolescentes de ambos os sexos buscam representações paternas mais vulneráveis na mídia. Esses dados sugerem que comportamentos não se alinham de forma direta a papéis de gênero tradicionais.
Contexto social e econômico
A pesquisa sinaliza que os jovens percebem um cenário de competição acentuada, agravado pela percepção de desigualdade econômica. Em 2023, a Grã-Bretanha registrou concentração de riqueza entre 1% mais rico, que detém quase metade da riqueza do país, segundo a Oxfam. No Reino Unido, o custo de moradia é desproporcional ao rendimento, com casas custando 7,7 vezes a renda média em Inglaterra, alto para padrões históricos.
A geração Z enfrenta desafios como desemprego em alta e perspectivas de ganho salarial restritas, o que alimenta inseguranças sobre status social. A associação entre status econômico e valor pessoal é citada como fator de pressão entre homens jovens, contribuindo para atitudes anti-feministas em alguns casos.
Papel das plataformas e respostas públicas
O texto aponta que as redes sociais podem ampliar frustrações ao oferecer narrativas radicais sob o rótulo de autoafirmação e oportunidades rápidas. Em contextos de incerteza econômica, discurso centrado em direitos das mulheres pode aparecer como alvo de culpa, em vez de apresentar soluções efetivas para melhoria de condições.
Pesquisadores defendem que mudanças reais dependem de criação de empregos, aumentos salariais e melhoria das condições de vida para jovens. Além disso, ressaltam a necessidade de uma mudança cultural que envolva responsabilização dos homens por atitudes em relação às mulheres, sem moldes de machismo ou visão de riqueza como identidade.
Orientação para o futuro
Especialistas destacam que prosperidade econômica, por si só, não basta para eliminar o preconceito. Políticas públicas que promovam empregabilidade, educação continuada e inclusão social são vistas como caminhos essenciais para reverter tendências de desigualdade. O debate enfatiza a importância de modelos masculinos saudáveis e apoio a jovens em dificuldades.
A reportagem destaca que as mudanças precisam ocorrer com responsabilidade e base em dados verificáveis, evitando generalizações sobre grupos amplos. A análise contextualiza que o desafio não é apenas sobre atitudes de jovens homens, mas sobre condições que afetam a vida de todos em uma sociedade desigual.
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