- Autoridades demoliram a Igreja Yazhong, congregação protestante não registrada, em Wenzhou, Zhejiang, região conhecida como “Jerusalém da China”.
- A demolição começou no dia 18 de maio; na manhã de 19 de maio o templo já havia sido reduzido a escombros.
- A ação ocorreu dias após reuniões entre autoridades dos Estados Unidos e da China em Pequim; o país vem reforçando restrições religiosas na região.
- Durante o processo, quatro integrantes foram detidos, incluindo o fiel You Ci’en; familiares dos presos teriam recebido ordens para não comentar o caso publicamente.
- A Igreja Yazhong é ligada ao movimento Igreja Local, ligado a Watchman Nee; moradores relataram isolamento da área e vigilância intensa durante a demolição.
A Igreja Yazhong, uma congregação protestante não registrada, foi demolida nesta semana em Wenzhou, Zhejiang. A ação ocorreu poucos dias após reuniões diplomáticas entre autoridades americanas e chinesas em Pequim, que também trataram de liberdade religiosa. A demolição começou no dia 18 de maio e terminou no dia seguinte, com máquinas pesadas desmoronando a estrutura de vários andares.
A igreja estava sob forte monitoramento das autoridades desde o fim do ano passado. Em dezembro, 103 membros foram presos durante uma operação realizada antes do amanhecer, quando agentes tomaram o controle do prédio. Durante a demolição, mais quatro integrantes foram detidos, incluindo um fiel identificado como You Ci’en. Familiares dos presos teriam recebido ordens para não comentar o caso.
Relatos locais indicam isolamento da região semanas antes da destruição, com postos de controle e vigilância instalados a cerca de um quilômetro do local. A cruz do templo teria sido coberta com pano preto antes do início da demolição. A região de Taishun passa por aumento de restrições religiosas, com monitoramento e fechamento de negócios ligados a membros da congregação.
Contexto regional
Fontes que acompanham a liberdade religiosa na China afirmam que operações de controle aumentaram nos últimos meses. O movimento de Arquideia Local, ligado ao pregador Watchman Nee, mantém atividades independentes do Estado, em contraste com as igrejas reconhecidas oficialmente como Movimento Patriótico das Três Autonomias.
Bob Fu, presidente da ChinaAid, disse que a repressão a cristãos independentes se intensifica. Segundo ele, o episódio não se restringe à perda do prédio, mas envolve o silenciamento de uma comunidade conhecida por sua fidelidade religiosa.
A ChinaAid informou que, em junho de 2025, houve entrada forçada no terreno da igreja, com demolição de parte de muro externo e instalação de um mastro para a bandeira chinesa, o que provocou protestos internos. Relatos locais indicam forte atuação policial para impedir registros por celulares e câmeras durante a operação.
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