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A poluição luminosa afasta polinizadores noturnos das plantas

Iluminação artificial noturna reduz visitas de polinizadores e a produção de frutos, podendo comprometer a polinização diurna

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  • Estudo publicado na revista Nature mostra que iluminação noturna reduz visitas de polinizadores e a produção de frutos de plantas próximas a postes.
  • Em campo de cardo-do-repolho (Cirsium oleraceum) na Suíça, 14 pradarias ecológicas foram monitoradas com uso de luz móvel em sete delas.
  • A exposição à luz diminuiu as visitas de polinizadores noturnos em 62%, e 29% menos espécies visitaram as áreas iluminadas.
  • A produção de frutos caiu 13% sob iluminação, associada à menor polinização.
  • Pesquisadores sugerem que polinização diurna pode não compensar totalmente, e pedem reduzir iluminação noturna como medida prática.

A pesquisa publicada na revista Nature revela que a poluição luminosa noturna preocupa diretamente os polinizadores. Estudiosos acompanharam a atuação de insetos e animais que transferem pólen, em áreas próximas a lâmpadas de rua na Suíça. Os resultados indicam menor polinização e produção de frutos sob iluminação artificial.

A equipe liderada pela ecóloga Eva Knop, da Universidade de Berna, comparou áreas com luz artificial e áreas sem iluminação. Em 14 pradarias de dente-de-leão suíças, sete foram iluminadas com luz de rua móvel. Observou-se redução significativa na visita de polinizadores durante a noite.

A diminuição foi de 62% no número de visitas de polinizadores, e houve queda de 29% na diversidade de insetos que visitaram as plantas iluminadas. Além disso, a produção de frutos do thistle foi reduzida em 13% sob iluminação noturna.

A planta estudada foi o cardo-do-repolho (Cirsium oleraceum). Os pesquisadores também avaliaram se a polinização diurna compensaria a perda noturna, constatando que, mesmo com mais polinizadores diurnos, a compensação não ocorria de forma suficiente para reverter os efeitos.

Metodologia e achados principais

O estudo utilizou visuais com óculos de visão noturna para monitorar a atividade de polinizadores em duas condições distintas (com e sem iluminação). Os autores destacam que, em campos com maior visitação noturna, a luz pode reduzir a eficiência da polinização diurna.

A equipe aponta que a polinização é um serviço ecológico essencial para a produção de culturas alimentares, especialmente em regiões tropicais e áridas. A poluição luminosa pode alterar redes tróficas e efeitos evolutivos, segundo especialistas não envolvidos no estudo.

A instituição recomenda ações simples para reduzir impactos: manter as lâmpadas apagadas à noite, diversificar plantas que floram em períodos diferentes e evitar pesticidas. Tais medidas visam minimizar riscos para várias espécies de polinizadores.

A pesquisa enfatiza que os efeitos de longo prazo da poluição luminosa em pollinadores e outras espécies sensíveis ainda podem se intensificar, exigindo mais estudos. A comunidade científica ressalta a importância de políticas públicas e atitudes individuais para mitigar o problema.

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