- Entre 13 e 29 de janeiro de 2020, Homero Gómez González desapareceu e seu corpo foi encontrado em um poço agrícola em El Rosario, Michoacán.
- Três dias após, Raúl Hernández Romero, guia turístico da região, foi encontrado morto com sinais de violência, ampliando o alerta sobre violência contra defensores ambientais.
- A procuradoria de Michoacán investiga as mortes; há suspeitas de participação de madeireiros ilegais e produtores de avocado no controle das florestas da Reserva de Biosfera de Mariposa Monarca.
- A reserva, criada e reconhecida pela UNESCO, envolve comunidades ejidales que adotam manejo florestal sustentável com apoio de WWF, Monarch Fund e Conafor, assegurando renda via ecoturismo e manejo responsável.
- Os acontecimentos destacam os riscos enfrentados por defensores ambientais no México e a necessidade de investigação completa para esclarecer as causais das mortes.
Homero Gómez González, defensor das florestas de oyamel onde hibernam as monarcas, foi morto após ser acusado de defender a área, com o caso ocorrendo entre 13 e 29 de janeiro de 2020 no município de El Rosario, Michoacán, México. Seu corpo foi encontrado em um poço agrícola, após familiares terem relatado seu desaparecimento. Dias depois, Raúl Hernández Romero, guia turístico de El Rosario, também foi encontrado morto com sinais de violência.
As autoridades de Michoacán investigam as duas mortes. Em meio a suspeitas, membros da ejidos locais e ambientalistas apontam para possíveis ligadas a madeireiros ilegais e plantadores de avocado, que disputam o controle das florestas da Reserva da Biosfera da Monarca. A área abriga milhares de hectares e concentra uma das maiores colônias de monarcas no Neovolcânico.
A história ganha contornos com o histórico da reserva, criada e reconhecida pela UNESCO, apoiada por WWF, Monarch Fund e Conafor para promover manejo sustentável. As comunidades ejidales de El Rosario passaram por restrições de manejo florestal, integrando ecoturismo, criação de trutas e manejo sustentável de pinhais e oyamel como alternativa econômica.
Gómez havia se transformado de opositor a defensor ativo da reserva, liderando a comunidade local e promovendo acordos que remuneravam a preservação do bosque. O programa Monarch Fund, com apoio do governo federal, passou a pagar pela conservação na zona central da reserva. No momento, o território de El Rosario figura entre os maiores abrigos de monarcas, fonte de renda por meio de turismo ecológico e manejo responsável.
Familiares e ejidatários pedem transparência na apuração, reiterando que a violência contra defensores ambientais é um risco real na região. A defesa do meio ambiente na Michoacán permanece sob vigilância internacional, com organizações como WWF e autoridades ambientais cobrando esclarecimentos sobre os homicídios.
A Procuradoria de Michoacán informou que as investigações permanecem abertas e que não houve divulgação de sinais de violência no caso de Gómez até o momento, mantendo a linha de apurar possíveis sequestros, extorsões e ameaças associadas. A comoção na comunidade de El Rosario se refletiu no funeral de Gómez, com multidão acompanhando o cortejo no dia seguinte ao achamento do corpo.
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