- Em 2017, mais de 1.500 sapos golden mantella foram soltos em tanques de reprodução perto da mina Ambatovy, no leste de Madagascar, como parte de um esforço para mitigar impactos ambientais.
- O projeto de criação em cativeiro, iniciado pela Mitsinjo com a Ambatovy, levou ao nascimento de mais de 1.200 anfíbios na geração F1 entre 2012 e 2013, que foram usados na reintrodução.
- Em abril de 2017 ocorreu a liberação dos animais no ambiente natural; estudos sobre a sobrevivência ainda não foram publicados, mas autoridades envolvidas disseram que parte sobreviveu.
- A Ambatovy se comprometeu a restaurar parte da floresta afetada, financiar projetos de conservação e criar uma área protegida em Ankerana, a setenta quilômetros ao nordeste da mina.
- Espécie enfrenta ameaças como a quitrídia e a espécie invasora sapo asiático; criadores acompanham dispersão dos animais, com some indivíduos encontrados a mais de dois quilômetros dos tanques de soltura.
In 2017, mais de 1.500 golden mantella frogs foram soltos em viveiros de reprodução próximos à mineração de níquel e cobalto da Ambatovy, no leste de Madagascar. A reintrodução buscou mitigar impactos ambientais da Mina e avançar no manejo da espécie em cativeiro.
A espécie Mantella aurantiaca vive apenas na região de Moramanga, em áreas protegidas como Mangabe, Torotorofotsy e Andriambondro Ambakoana. Torotorofotsy é uma área úmida de importância internacional sob Ramsar e sofre pressões da mineração da Ambatovy.
Ambatovy representa o maior investimento estrangeiro já feito em Madagascar, estimado em 8 bilhões de dólares ao longo de pelo menos 29 anos. A mina tem capacidade de 60 mil toneladas de níquel e 5,6 mil toneladas de cobalto por ano, além de sulfato de amônio, extraídos de 1.600 hectares de floresta primária.
A empresa afirma seguir normas nacionais e internacionais de proteção ambiental e engajamento social, alinhadas aos Princípios do Equador e às Normas de Desempenho da IFC. O programa ambiental enfatiza evitar impactos, minimizar danos, restaurar e compensar, visando não apenas perda líquida, mas ganho de biodiversidade.
Ambatovy comprometeu-se a restaurar áreas desmatadas e financiar projetos de conservação e desenvolvimento para mitigar impactos. Em Ankerana, a 70 km ao nordeste, foi criada uma nova área protegida para proteger espécies importantes.
Mochila de ações e impactos
Especialistas apontam que Ambatovy também pode ter contribuído para a introdução de rã-tigre asiática (Duttaphrynus melanostictus) no país. Embora a empresa não tenha reconhecido responsabilidade, tem realizado ações de contenção de sapos invasores, segundo reportagens anteriores.
Entre as ameaças à mantella dourada estão a destruição de habitat e a infecção filóide do fungo quítrido, associada à mortalidade de anfíbios globalmente. A presença do fungo na Madagascar já foi documentada em 2015, aumentando o risco à espécie.
Centro de reprodução Toby Sahona
Gilbert Rakotondratsimba, especialista em biodiversidade da Ambatovy, supervisiona o projeto de reintrodução para a empresa. A Mitsinjo, grupo comunitário, atua desde 2012 na reprodução em cativeiro, turismo e educação, em parceria com Ambatovy.
O centro Toby Sahona, próximo ao Parque Nacional Andasibe-Mantadia, foi criado em 2011 em resposta à ameaça do quítrido. O ministério do Meio Ambiente e o grupo Amphibian Specialist do IUCN realizam inspeções periódicas, com visitas regulares da Ambatovy.
A triagem anual em áreas a serem desmatadas busca manter as mantellas em viveiros separados. Espécimes coletados vêm de cerca de 10 dos 38 viveiros identificados ao redor do sítio de mineração.
Reintrodução ao ambiente natural
Em abril de 2017, logo após o fim da temporada de criar, as mantellas foram transportadas para locais de soltura previamente inspecionados. Os animais foram coloridos para facilitar o monitoramento. A viagem durou cerca de duas horas, com apenas um animal morto durante o trajeto.
Resultados de estudos sobre a sobrevivência dos indivíduos e o progresso da reintrodução ainda não foram publicados na época. Autoridades e pesquisadores, incluindo universitários de Antananarivo e Mahajanga, acompanhavam o projeto.
Rakotondratsimba e Rabibisoa destacaram que os indivíduos soltos conseguiram sobreviver, com algumas fatalidades, mas em número reduzido. Estudos apontaram dispersão de mantellas para além dos cerques originais, com deslocamentos de até mais de 2 quilômetros.
A Ambatovy informou, em 2019, que continuará apoiando o programa de translocação da espécie por três a cinco anos, buscando ampliar o conhecimento sobre a vida da mantella tanto no ambiente natural quanto em cativeiro.
Perspectivas e continuidade
A continuidade do projeto visa permitir que cientistas avancem no entendimento da biologia da espécie, aumentando as chances de sobrevivência no longo prazo. O histórico de cooperação entre Ambatovy, Mitsinjo e instituições acadêmicas sustenta a continuidade do programa.
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