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Fome e desorientação causam encalhe de baleias-piloto na Indonésia

Inflamação no melon da líder, fome e danos pulmonares levaram 52 baleias-piloto a encalhar; necropsias mais frequentes são pedidas para orientar políticas

Some of the stranded short-finned pilot whales on Madura Island. Image courtesy of the Marine and Coastal Resources Management Agency in Denpasar, Bali.
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  • Quarenta e dois? Não, 52 baleias-piloto de nadadeira curta ficaram encalhadas em Madura, Indonésia, neste ano, com três sobreviventes voltando ao mar e morrendo após novo encalhe.
  • A principal hipótese aponta que inflamação no melon (órgão de echolocalização) da baleia alfa atrapalhou a navegação, contribuindo para o encalhe do grupo.
  • A morte das demais baleias ocorreu por ingestão insuficiente de ar, danos aos pulmões, desidratação e exaustão.
  • Foram realizados necropsias em 34 dos 52 animais para entender as causas e orientar políticas de manejo de encalhes no país.
  • Autoridades destacam a necessidade de mais necropsias após encalhes e de investigar fatores externos, como poluição, clima extremo e atividade humana, para compreender melhor o fenômeno.

Em Denpasar, Indonésia, autoridades divulgaram as causas da encalha de 52 toninhas-de-cabeça-curta na ilha de Madura, ocorrida em fevereiro. O laudo aponta desorientação, fome e danos pulmonares como fatores que levaram ao encalhe em massa. A inflamação no orgão de ecolocalização da fêmea líder foi destacada como possível gatilho.

Peritos realizaram necropsias em 34 dos animais e analisaram tecidos, estômago e o melon, a região frontal ligada à ecolocação. A líder, uma fêmea, morreu por agravamento da função pulmonar associado à desidratação e à fome. Os demais da manada faleceram por exaustão e insuficiência respiratória.

A equipe científica informou que houve inflamação severa no melon da fêmea alfa, o que provavelmente atrapalhou a navegação do grupo. Como resultado, parte da manada acabou encalhando em locais costeiros, reforçando o comportamento social desses cetáceos.

Entre os 34 examinados, 26 eram fêmeas. Três machos sobreviveu ao encalhe inicial, sendo devolvidos ao mar por voluntários e autoridades locais. Contudo, retornaram para outra área de encalhe e dois deles morreram. Os registros indicam padrão de deslocamento coletivo.

A técnicos da pesca ressaltam a necessidade de necropsias mais frequentes após encalhes para compreender melhor os eventos. Os achados também destacam a importância de monitorar a saúde oceânica, dada a relação entre poluição, condições climáticas e atividades humanas.

Avespe de pesca reforçam que a saúde dos oceanos no país ainda apresenta índices insatisfatórios. O índice de saúde oceânica de Indonesia foi avaliado em 65 de 100, segundo o Departamento de Planejamento Marinho, que pediu avanços para melhorar o cenário ambiental.

Especialistas de defesa animal destacam que necropsias não bastam sozinhas. É crucial investigar fatores externos, como tempo, intensidade de poluição e perturbações eletromagnéticas causadas por atividades humanas, para entender plenamente os encalhes.

Indonesia, com a maior costa da Asia, abriga rotas migratórias e habitats de diversas espécies de cetáceos. Autoridades treinam comunidades para atuar como primeiros socorristas em casos de encalhe, buscando resposta rápida e estruturada.

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