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Estudo aponta que uma minoria de animais concentra a maioria dos vírus zoonóticos

Pouca parcela de mamíferos na atividade de comércio de vida silvestre abriga a maioria dos vírus zoonóticos, com 26,5% das espécies responsáveis por 75% dos vírus conhecidos

A slow loris. Primates alone carry 77 known zoonotic virus, even-toed ungulates host 62, and carnivores 41. Image by Vladimir Buynevich via Flickr (CC BY 2.0).
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  • Estudo publicado na Current Biology aponta que uma minoria de espécies animais abriga a maioria dos vírus zoonóticos.
  • Apenas 26,5% dos mamíferos do comércio de vida selvagem hospedam 75% dos vírus zoonóticos conhecidos.
  • Primatas, ungulados, carnívoros e morcegos são os grupos de maior risco, juntos com 132 vírus (58% do total).
  • No futuro, morcegos, roedores e marsupiais podem representar maior risco devido a mudanças no comércio de vida selvagem.
  • Especialistas defendem políticas mais direcionadas, vigilância em mercados e cooperação entre setor público e privado para reduzir riscos sem banir completamente o comércio.

Em meio à pandemia de COVID-19, estudo recente aponta que apenas uma minoria de espécies animais abriga a maioria dos vírus zoonóticos. A pesquisa, liderada por Shivaprakash Nagaraju, mostrou que 26,5% dos mamíferos envolvidos no comércio de vida silvestre são responsáveis por 75% dos vírus zoonóticos já conhecidos. O trabalho foi publicado na revista Current Biology.

A equipe analisou a relação entre espécies do comércio de wildlife e a diversidade de vírus que podem passar para humanos. Entre os grupos com maior risco estão primatas, ungulados, carnívoros e morcegos. Juntas, essas quatro categorias concentram 132 dos 226 vírus zoonóticos identificados, equivalentes a 58% do total. Os pesquisadores destacam que morcegos, roedores e marsupiais podem representar maior risco no futuro.

Para o estudo, Nagaraju enfatiza que o foco não deve recair sobre todo o ecossistema animal, mas sim sobre grupos que apresentam maior potencial de spillover. A pesquisa recomenda manter fora da cadeia de comércio determinadas espécies de maior risco, sem desvalorizar a importância da renda associada ao comércio legal de wildlife, avaliada em cerca de 300 bilhões de dólares.

Implicações para políticas públicas

A pesquisadora Trang Nguyen, do WildAct Vietnam, defende que governos usem dados como este para direcionar ações de prevenção. Ela afirma que é essencial que haja avaliação de patógenos em importações legais de vida silvestre e cooperação entre setores público e privado para estratégias mais seguras, incluindo testes antes do transporte e na fronteira, com certificados de saúde que acompanhem os animais.

Desafios de fiscalização e futuras medidas

Nguyen também ressalta que o comércio irregular é mais difícil de monitorar, o que aumenta os riscos de zoonoses. Ela cita pandemias anteriores — HIV, SARS, gripe aviária, gripe suína, Ebola e Zika — que tiveram vínculos com o comércio e uso de animais. A pesquisadora aponta que ações para reduzir riscos devem considerar alternativas de subsistência para comunidades dependentes do comércio ilegal e melhorar a vigilância de patógenos em mercados de vida silvestre.

Nagaraju observa que manter certas espécies longe do comércio pode reduzir spillovers, sem impor proibições gerais. Ele acredita que políticas mais inteligentes dependem de entender onde surgem os vírus e de equilibrar proteção à saúde com meios de vida. O estudo surge em um contexto de bilhões de casos e impactos econômicos globais provocados pela pandemia.

Pesquisa citada: Shivaprakash, K. N., Sen, S., Paul, S., Kiesecker, J. M., & Bawa, K. S. Mammals, wildlife trade, and the next global pandemic. Current Biology, 31, 1-7.

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