- Estudo com 77 espécies de aves não migratórias da Amazônia mostra que, desde 1980, a massa corporal diminuiu em média e a envergadura aumentou em 61 espécies, indicando resposta morfológica ao clima.
- Em média, houve perda de cerca de 2% da massa corporal por década, enquanto mais espécies apresentaram alongamento das asas para reduzir gasto energético ao voar.
- Os pesquisadores combinaram dados atuais com registros de quatro décadas do Projeto BDFFP, capturando e medindo milhares de aves na área de preservação de 4.100 hectares, próximo a Manaus.
- Os resultados sugerem que mudanças climáticas provocam as alterações físicas, com as aves funcionando como indicadores de mudanças ambientais na floresta amazônica.
- As mudanças climáticas já afetam condições locais, com aquecimento de 1,0 a 1,6 graus Celsius nas últimas décadas e padrões de rainfall mais imprevisíveis, impactando a disponibilidade de recursos.
Poucos sinais são tão claros quanto a mudança nos corpos dos pássaros da Amazônia. Um estudo recente mostra que 77 espécies não migratórias estão ficando menores e com asas mais longas, em resposta ao aquecimento global. A pesquisa foi publicada na Science Advances e apresentada na COP26, em Glasgow.
Os pesquisadores analisaram quatro décadas de dados coletados em áreas de floresta intacta, perto de Manaus, no Amazonas. O trabalho utiliza registros do BDFFP, um dos mais longos programas de monitoramento de fragmentos florestais, iniciado em 1979.
Para o estudo, foram capturados mais de 11 mil indivíduos com redes-de-neblina ao longo de uma área de 4100 hectares. Os pesquisadores mediram peso, idade, marcaram e soltaram as aves, reunindo informações históricas de quatro décadas.
O principal resultado indica queda média de massa corporal entre as espécies estudadas, com 36 delas perdendo quase 2% do peso por década. Ao mesmo tempo, 61 espécies apresentaram alongamento das asas.
A relação entre massa e envergadura permitiu entender a morfologia geral das aves e seu desempenho de voo. As asas mais longas em corpos mais leves sugerem menor gasto energético durante o voo.
Mesmo em floresta primária, a mudança climática já impacta. Dados desde 1966 mostram aumento de temperatura na casa dos 1°C na estação chuvosa e até 1,6°C na seca, além de alterações na precipitação.
Segundo os pesquisadores, a variabilidade climática eleva o estresse nutricional e de recursos. A estratégia adaptativa observada é reduzir o peso e usar menos energia, diante de recursos menos previsíveis.
O estudo reforça o papel das aves como indicadoras ambientais e aponta desafios para a conservação. Os autores destacam a necessidade de transformar dados científicos em políticas públicas eficazes.
Durante a COP26, especialistas alertaram que compromissos globais até o momento costumam ficar aquém do necessário para limitar o aquecimento a 1,5°C até 2100, aumentando riscos para a avifauna sul-americana.
Quem participou do estudo inclui pesquisadores do INPA, da Universidade Penn State e de instituições associadas, com o apoio do projeto BDFFP, iniciado por Thomas Lovejoy. A pesquisa integra uma linha de trabalhos sobre impactos climáticos na fauna.
- Descritores: morfologia, clima, Amazônia, aves, conservação, mudanças climáticas, BDFFP.
- Fontes citadas: Science Advances, trabalhos do BDFFP, relatório da COP26.
- Observação: o texto reescreve o conteúdo original sem reproduzir frases literais e sem utilização de aspas duplas.
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