- Um atlas global criado em 2021 quantifica a luz artificial à noite em habitats submersos, mostrando como essa luz chega até o oceano.
- A pesquisa identificou que, a apenas um metro de profundidade, cerca de 1,9 milhão de quilômetros quadrados das zonas costeiras ficam expostos à luz artificial biologicamente relevante durante a noite.
- Esse valor corresponde a mais de 3% das zonas econômico exclusivas ao redor de países; aos 10 e 20 metros, as áreas impactadas caem para 1,6 milhão e 840 mil quilômetros quadrados, respectivamente.
- Luzes LED, ainda que mais eficientes, podem penetrar mais fundo na coluna de água e ter efeitos maiores, especialmente por serem mais azuis e energeticamente intensas.
- Os pesquisadores esperam que o atlas aumente a conscientização sobre a poluição luminosa marinha e que a luz artificial passe a ser entendida como uma ameaça adicional, junto de outros estressores como acidificação e poluição por plásticos.
O atlas global mostra como a iluminação artificial noturna afeta o oceano. Pesquisadores liderados por Tim Smyth, do Plymouth Marine Laboratory, mapeiam quanta luz entra no oceano e quais profundidades são atingidas por diferentes espectros. O estudo revela impactos mesmo em águas profundas, onde organismos evoluíram para reagir a luz natural.
O trabalho, publicado em Elementa: Science of the Anthropocene, utiliza dados de referência como o atlas de brilho noturno no céu e medições no Golfo de Aqaba, no Mar Vermelho. A equipe procurou identificar quando a luz artificial se torna biologicamente relevante para o ecossistema marinho.
Segundo o estudo, a cada 1 metro de profundidade, cerca de 1,9 milhão de km² de zonas costeiras recebem iluminação artificial com potencial biológico. Aos 10 metros, a área sobe para 1,6 milhão de km²; aos 20 metros, para 840 mil km². Os números, considerados conservadores, devem aumentar com melhorias no modelo.
Os pesquisadores destacam que o LED, mais utilizado, pode penetrar mais fundo na coluna d’água por ter pico de emissão no azul. Esse espectro é mais energético e tende a ter efeito mais intenso sobre peixes, zooplâncton e, possivelmente, aves e tartarugas.
A equipe avaliou escolhos como fitoplâncton e sedimentos, que alteram as propriedades da água e influenciam como a luz se propaga. Copépodos do gênero Calanus, sensíveis à luz, aparecem como indicadores-chave das mudanças na distribuição vertical da fauna.
Entre as implicações, o atlas sugere que a poluição luminosa pode se somar a ameaças como acidificação e poluição plástica. O objetivo é ampliar a compreensão sobre os efeitos combinados de estresses humanos no ambiente marinho.
Davies e Smyth defendem que o atlas fortalece a percepção de que a luz artificial é mais que um incômodo visual. Eles acreditam que esse novo mapa ajuda a incorporar a iluminação artificial na avaliação de impactos ambientais, junto a outros fatores.
A pesquisa aponta ainda que a espectralidade das luzes urbanas tende a piorar a situação com a expansão de iluminação de LED. A investigação reforça a necessidade de políticas públicas que considerem o efeito da luz noturna nos ecossistemas marinhos.
O estudo cita limitações, como suposições sobre espectros luminosos de cidades diferentes de Plymouth. Os autores ressaltam que refinamentos no modelo podem indicar impactos ainda maiores no oceano global.
Fontes citadas no trabalho incluem pesquisas sobre sensibilidade luminosa de Copépodos, avaliações de efeitos de espectro de lâmpadas e estudos sobre a distribuição de iluminação no Golfo de Aqaba.
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