- Um total de dezesseis blocos de petróleo foi disponibilizado pela República Democrática do Congo, sendo pelo menos nove na área pantanosa da Cuvette Centrale.
- O leilão tem como objetivo aumentar a receita do governo e ampliar a produção nacional, que hoje fica em cerca de vinte e cinco mil barris por dia.
- Ativistas e organizações, como a Greenpeace, dizem que esse caminho representa um erro histórico ao privilegiar o petróleo em detrimento da floresta e dos direitos humanos.
- A Cuvette Centrale abriga pântanos ricos em carbono, estimados em cerca de trinta gigatoneladas, o que equivale a quinze anos de emissões dos Estados Unidos.
- Autoridades afirmam que explorar apenas dois blocos poderia render mais de um bilhão de dólares por mês, enquanto críticos alertam para impactos ambientais, direitos de comunidades locais e governança insuficiente.
O governo da República Democrática do Congo aprovou a licitação de 16 blocos de exploração de petróleo, incluindo ao menos nove na Cuvette Centrale, região de pântanos. A medida busca ampliar a receita pública e elevar a produção interna, atualmente em torno de 25 mil barris por dia.
Ativistas questionam a decisão. Irene Wabiwa Betoko, da Greenpeace África, classifica o anúncio como um erro histórico que precisa ser corrigido. A organização aponta que a Cuvette Centrale abriga ecossistemas de brejos ricos em carbono.
Joe Eisen, diretor executivo da Rainforest Foundation UK, alerta para riscos aos pântanos e às comunidades locais e indígenas. A infraestrutura necessária pode desencadear desmatamento sistemático e alterações no uso do solo ao redor de estradas e assentamentos.
Contexto técnico e ambiental
Os blocos anunciados estão em ecossistemas únicos que ajudam a estabilizar o clima global. Em 2017, pesquisadores destacaram um enorme pântanal no Congo Basin, cuja degradação pode liberar grandes volumes de carbono. A avaliação de emissões é notoriamente complexa.
Estudos apontam que, se os pântanos forem drenados, centenas de milhões de toneladas de CO2 podem ser liberadas. Em paralelo, registros históricos indicam que pântanos similares na Europa e na Ásia foram convertidos em áreas agrícolas, gerando emissões significativas ao longo de dois séculos.
Implicação econômica e governança
O governo afirma que é necessário aproveitar recursos naturais para reduzir a pobreza. Estima-se que o potencial de petróleo onshore e offshore da DRC chegue a cerca de 20 bilhões de barris, posição que colocaria o país entre os maiores produtores da região.
Foi citado pelo ministério de petróleo que estudos preliminares indicam que explorar apenas dois blocos no entorno de pântanos poderia render mais de 1 bilhão de dólares por mês. Organizações ambientais contestam esses números versus impactos locais.
Reações e contexto internacional
Defensores do clima lembram a promessa de a DRC atuar como país de soluções para mudança climática e preservação da biodiversidade, reiterada na COP26. Doadores comprometeram apoio próximo de 500 milhões de dólares para viagens climáticas e proteção da floresta.
Greenpeace solicita que doadores reconheçam a atual dificuldade de gestão florestal no país e rejeitem planos que substituam florestas por petróleo. Observadores vão monitorar condições para o uso de recursos e possíveis impactos sociais.
Perspectivas locais e dilemas
Mesmo com resistência ambiental, comunidades rurais próximas ao Cuvette Centrale veem de perto os recursos naturais disponíveis. Evitar o aprofundamento da pobreza é uma justificativa apresentada por parte das autoridades para seguir com o licenciamento.
Especialistas ressaltam que a governança atual precisa ser fortalecida para evitar desvio de recursos públicos e garantir que investimentos beneficiem as populações locais. O tema permanece sob escrutínio de organizações ambientais e da sociedade civil.
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