- Povos Achuar e Wampis, no norte do Peru, realizaram uma dança de guerra ritual em Yankuntich para afirmar a oposição à exploração de petróleo no Bloco 64 pela Petroperú.
- O Bloco 64 está sobre áreas de várias comunidades; 22 comunidades tituladas têm sobreposição com o local, sendo que nove delas registram sobreposição de cem por cento em parte de suas terras.
- Históricamente, empresas já tentaram explorar o bloco desde 1995 (ARCO, Talisman e Geopark). A Geopark chegou a sair, mas o interesse voltou com a Petroperú assumindo participação no projeto.
- As lideranças relatam que a consulta prévia costuma legitimar as empresas sem dar poder decisório às comunidades; haveria atraso na titulação integral das terras e maior proteção aos territórios é reivindicada.
- Preocupações incluem o traçado de duto e opções de transporte (inclusive por rios) com riscos de derramamentos e impactos ambientais, além de denúncias sobre falhas em estudos de transporte de petróleo.
A comunidade indígena Achuar, no norte do Peru, realizou em fevereiro um ritual de dança de guerra para manifestar resistência a projetos de exploração de petróleo no Bloco 64. O ato ocorreu em Yankuntich, distrito de Morona, região de Loreto, com marcha e cantos que reforçavam a defesa do território contra a Petroperú e suas propostas de exploração.
Os Achuar e, igualmente, os Wampis contestam historicamente a presença de empresas no Bloco 64, que se sobrepõem a seus territórios. A reclamação envolve direitos territoriais e a garantia de autocontrole sobre as terras, cuja titularidade plena ainda não foi reconhecida pelo governo. O objetivo é evitar atividades extrativas na área.
Nenhuma das partes informou sobre um acordo concreto. O governo peruano sustenta direitos sobre o subsolo, enquanto críticos destacam falhas de consulta prévia e impactos ambientais. Em paralelo, as comunidades mantêm pressão para assegurar a proteção de seus modos de vida.
Contexto histórico do Bloco 64
Desde a concessão inicial em 1995, várias tentativas de exploração foram feitas, com retirada de empresas e retorno de operações. A última reativação ocorreu em 2021, quando Petroperú anunciou o retorno da exploração, mantendo 75% de participação da Geopark anteriormente.
A sobreposição de terras tituladas com áreas de exploração continua a gerar disputas. Dados de RAISG apontam que 22 comunidades indígenas têm sobreposição de 21% a 100% com o Bloco 64, incluindo Achuar, Wampis e Candoshi.
Percepção e riscos
Líderes da Wampis e Achuar sustentam que a construção de oleodutos e o transporte de petróleo por rios podem trazer riscos ambientais, como derramamentos e impactos na fauna aquática. Organizações de direitos indígenas destacam a necessidade de consultas eficazes e respeitosas.
Relatórios de organizações internacionais citados pela comunidade indicam histórico de vazamentos na Amazônia peruana, promovendo desconfiança em relação a projetos de óleo. As lideranças defendem que a floresta é parte fundamental de sua saúde, economia e cultura.
O que vem a seguir
As lideranças confirmaram disposição para participar de reuniões com Perupetro, previstas para fevereiro, para reiterar a oposição ao Bloco 64. Enquanto isso, os povos Achuar e Wampis reforçam a defesa de seu território e pedem apoio internacional para evitar qualquer ocupação por óleo.
A comunidade de Yankuntich permanece vigilante, mantendo a mobilização para evitar entradas de empresas estrangeiras ou nacionais que promovam exploração no seu território. A posição é clara: o Bloco 64 não deve retornar à atividade extrativa.
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