- Um novo relatório da Zoological Society of London e da Universidade de Cambridge alerta que seabirds do Atlântico NE, incluindo o auk, corruízes e gaios, enfrentam risco acentuado com as mudanças climáticas, que podem reduzir substantialmente áreas de nidificação e alimento disponível.
- O estudo aponta que cada espécie tem desafios únicos: algumas perderão grande parte de áreas de nidificação, outras poderão ver alterações em habitats de caça e predação.
- Entre as ações propostas estão realocação de áreas de nidificação, alimentação suplementar, incubação artificial e criação de abrigos adicionais para enfrentar eventos climáticos extremos.
- Medidas adicionais consideradas incluem barreiras contra inundações, poços artificiais para ajudar no manejo de calor extremo e manejo de predadores para reduzir perdas em populações vulneráveis.
- O relatório ressalta que, caso não haja atuação imediata, muitas espécies podem perder grande parte de seus recantos de nidificação até o fim do século, exigindo planejamento de conservação adaptado ao contexto de cada taxa.
O estudo conjunto da Zoological Society of London (ZSL) e da University of Cambridge alerta para o risco crescente de extinção entre aves marinhas no Noroeste do Atlântico devido ao aquecimento global. Puffins e outras espécies enfrentam perda significativa de áreas de nidificação e de presas.
O relatório, que analisa seabirds da região, aponta desafios distintos por espécie. Enquanto algumas aves podem perder vastas áreas de reprodução, outras podem ver mudanças no estoque de alimento e no tema depredação invasiva, exigindo estratégias específicas.
As medidas de conservação analisadas incluem relocação de ninhos, alimentação suplementar e manejo de predadores. Saiba-se que ações como barreiras contra enchentes e poços artificiais são consideradas, ainda que dependam do contexto.
Açalinados em Rathlin Island, na Irlanda do Norte, exemplificam o que pode ocorrer quando predadores invasivos reduzem populações locais. Ferrets e ratos foram apontados como causa de queda no número de puffins que visitam a ilha na temporada de reprodução.
Para contornar o declínio, autoridades ambientais deslocaram aves para as Copelands, ilhas vizinhas livres de predadores. O plano já mostrou resultados: puffins passaram a se reproduzir nesses novos domínios, onde a disponibilidade de alimento e a ausência de invasores são vantagens.
O estudo projeta que, até o fim do século, cerca de 70% das áreas de nidificação de puffins podem ser perdidas por causa das mudanças climáticas. Tal cenário reforça a necessidade de medidas adaptativas e de busca por habitats mais estáveis.
Entre as espécies analisadas estão auk (razorbills e outros), gaivotas, garças e bodes-do-mar, além de aves como mergulhões e skuas. Cada grupo apresenta vulnerabilidades distintas conforme o habitat e o comportamento de nidificação.
O relatório recomenda ações pragmáticas para orientar políticas públicas e planos de conservação. Entre elas, a avaliação de locais alternativos de nidificação, monitoramento de presas, contenção de espécies invasoras e preparação para eventos climáticos extremos.
Henry Häkkinen, principal autor do estudo, destaca que as estratégias devem ser contextuais. A disponibilidade de soluções varia conforme o tamanho da população e o alcance geográfico das ações. O objetivo é oferecer ferramentas para decisões de conservação.
Antonio Vulcano, da BirdLife International, reforça a urgência de agir agora. O documento indica que a ameaça das mudanças climáticas tende a intensificar-se nas próximas décadas sem medidas efetivas contra os impactos sobre as seabirds.
Embora o panorama permaneça desafiador, o pesquisador afirma que há caminho possível. A preservação depende de reduzir as pressões climáticas na origem e de implementar medidas adaptativas com base em evidências.
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