- Palenques em Santa María Ixcatlán estão vazios antes das celebrações do Dia de Finados, devido à falta de agave maduro na natureza.
- A espécie tobalá, tradicional para o mezcal, é considerada vulnerável pela IUCN, e a alta demanda global está levando à sobreexploração e ao plantio em monoculturas.
- Um projeto conjunto de pesquisadores e produtores, iniciado em San Juan Raya, busca plantar agave em sistemas agroecológicos que preservem a biodiversidade, com apoio de instituições como CONACYT.
- Cerca de oito mil plantas de agave já foram transplantadas, com aproximadamente dois mil e trezentas marcadas para estudos sobre como outras plantas ajudam no seu crescimento; pretende-se manter até trinta por cento em policultura para alimentação de morcegos.
- A iniciativa ainda depende de políticas federais mais claras; alguns estados, como Hidalgo, já possuem leis regionais para proteger a diversidade do agave e dos ecossistemas, incentivando práticas sustentáveis.
Tehuacán-Cicuatlán Biossfera, México — Em Santa María Ixcatlán, os palenques, pontos locais de produção de mezcal, aparecem vazios antes das celebrações do Dia de los Muertos. A escassez de agave maduro na natureza reduz a produção do destilado.
Andrés Herrera, presidente da secretaria local de recursos comunitários, explica que a falta de plantas adultas limita a extração tradicional. O cenário é típico em uma região reconhecida pela biodiversidade e pela presença de cactos, no reserve da biosfera.
Historicamente, os ixcatecos dependem do agave tobalá (Agave Potatorum) para a bebida fermentada de alto teor alcoólico. Hoje, a espécie está vulnerável e rara perto de Ixcatlán, elevando a dificuldade de sustentar a produção.
Desafio da demanda global
A popularidade mundial do mezcal impulsionou a coleta, o cultivo e a comércio da bebida. Em 2021, o México produziu mais de 8 milhões de litros certificados, com grande parte destinada a mercados internacionais. Oaxaca concentra grande parte da atividade, envolvendo milhares de famílias.
Para acompanhar o crescimento, produtores de várias regiões ampliaram monoculturas de agave, o que pressiona ecossistemas locais e reduz diversidade genética. O alerta é feito por ecólogos que estudam impactos sobre a fauna, especialmente morcegos polinizadores.
Conservação e pesquisa colaborativa
Um grupo de mais de sessenta cientistas, com apoio de universidades, investiga agroecologia para conciliar demanda e conservação. O projeto começou em San Juan Raya, dentro da mesma reserva, e recebe apoio do CONACYT.
A proposta envolve plantações policulturais que integram agave nativo com cactos, leguminosas e outras espécies. O objetivo é conservar biodiversidade, ao mesmo tempo em que se atende à produção de mezcal de forma sustentável.
Como funciona a implantação
Na estufa de San Juan Raya, cerca de 45 mil plantas jovens de Agave Potatorum e Agave Marmorata já foram plantadas. Em 8 mil delas, há marcação para monitorar a interação com outras plantas do sistema.
Os produtores entendem que a diversidade ao redor favorece o desenvolvimento do agave, reduzindo mortalidade. Parte da lavoura, até 30%, fica para apoiar polinizadores e a fauna local, enquanto o restante segue para a moagem e destilação.
Perspectivas e próximos passos
O projeto avança com plantações previstas em Guerrero, Tamaulipas e Sonora, e busca ampliar a participação de comunidades em Oaxaca. Ainda não há política federal que imponha o manejo sustentável do agave, mas estados como Hidalgo já aprovam leis locais de proteção de ecossistemas.
Especialistas destacam a necessidade de estudos regionais regulares para avaliar os impactos ambientais. Em paralelo, autoridades e pesquisadores trabalham na busca de modelos que conciliem economia local e conservação, sem depender unicamente da monocultura.
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