- Sanções de 2021 contra Myanmar visam a empresa estatal de manejo florestal, mas o fluxo de teca para os EUA continua estável.
- Mais de 3.000 toneladas métricas de teca de Myanmar foram importadas pelos EUA nos últimos dois anos.
- Doze empresas dos EUA são apontadas como principais importadoras; duas delas, East Teak Fine Hardwoods e J. Gibson McIlvain, respondem de forma limitada às solicitações de comentário.
- A Environmental Investigation Agency informou autoridades em dezembro de dois mil e vinte e dois sobre as doze empresas e acumulou dois mil setecentos e sessenta vírgula quarenta e seis toneladas desde as sanções, com mais novecentos e oito pontos? até maio de dois mil e vinte e três.
- O documento recomenda investigação e ações legais nos EUA, incluindo o uso do TIMBER Working Group, para coibir importações de teca de Myanmar e aumentar a transparência sobre a procedência.
O grupo ambiental Environmental Investigation Agency (EIA) revelou que grandes volumes de madeira proveniente de Myanmar continuam a chegar aos Estados Unidos, apesar das sanções impostas ao monopólio estatal do setor florestal. O estudo aponta que, nos últimos dois anos, traders norte-americanos importaram mais de 3 mil toneladas métricas de teca birmanesa.
As sanções, aprovadas após o golpe de 2021, atingiram a Myanma Timber Enterprise (MTE) e empresas ligadas aos setores florestal, de mineração e de energia ao longo da cadeia de suprimento. A meta é cortar receitas para a junta militar, mas o relatório diz que o comércio não caiu.
Segundo a EIA, 12 empresas com sede nos EUA importaram teca de Myanmar desde o golpe. Duas delas, East Teak Fine Hardwoods e J. Gibson McIlvain, juntas responderam por 88% das importações, totalizando cerca de 1,6 mil toneladas. A EIA informou as identidades às autoridades americanas em 2022.
Persistência do comércio
Entre abril de 2021 e março de 2023, as importações somaram 2.760,46 toneladas; até maio de 2023, entraram mais 308,24 toneladas. A organização afirma que o segredo em torno das transações dificulta a verificação da origem e da legalidade da madeira.
O relatório acrescenta que algumas empresas alegam ter teca colhida antes do golpe, mas a opacidade das licitações da MTE aumenta a dificuldade de traçar a procedência. A EIA sustenta que é improvável que haja verificação confiável por DNA, dada a dificuldade de acesso a florestas birmanesas.
Impactos ambientais
A demanda internacional por teca de Myanmar, de alta qualidade, impulsiona o desmatamento. O estudo projeta que áreas florestais semelhantes ao tamanho da Bélgica desapareceriam até 2035 se o ritmo atual persistir, com impactos na biodiversidade regional, incluindo espécies como ursos, gibbonos e pangolins.
A EIA ressalta que a falta de transparência dificulta distinguir madeira legal de ilegal. Além disso, o relatório cita que muitos exportadores não seguem as leis nacionais que proíbem a exportação de madeira bruta.
Chamado à ação
A organização pede que o governo dos EUA investigue e processe os envolvidos no comércio de teca birmana. Propõe fortalecimento de controles por meio do TIMBER Working Group, criado em 2023 pelo Departamento de Justiça. A campanha afirma que a inação incentiva a continuidade do comércio.
Até o momento, autoridades relevantes não comentaram oficialmente as alegações específicas contidas no relatório. As informações são provenientes do estudo divulgado pela EIA e de dados públicos citados pela organização.
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