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Cerro de Pasco: mineração contamina cidade inteira no Peru

Mineração gigante em Cerro de Pasco contamina solo e água, causando envenenamento por metais pesados e impactos graves à saúde infantil

Cerro de Pasco, a city in Peru, has a mining history that dates back almost 400 years to the early Spanish colonial era. In recent decades, the extensive extraction of metals like lead, zinc, and silver has transformed the landscape, with a massive open-pit mine, around 300 meters deep, now overshadowing this city of 80,000 in the Peruvian Andes.
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  • Cerro de Pasco, cidade andina de cerca de 80 mil habitantes, é dominada por uma mina a céu aberto de aproximadamente 300 metros de profundidade.
  • A mineração deixou o ambiente poluído, com chumbo e arsênio em solo e água potável acima de níveis seguros, levando a intoxicação por metais pesados na população.
  • Estudos da ONG Source International mostram que crianças apresentaram níveis de chumbo muito acima do aceitável, em uma quinta investigação na última década.
  • Em 2008 o governo declarou a relocação da cidade como prioridade pública, mas a mudança não ocorreu; estados de emergência ambiental foram anunciados em 2012 e 2017.
  • A Volcan Mining Company, controlada pela Glencore, teve multa de cerca de US$ 3,5 milhões por falhas ambientais; não houve resposta formal às acusações, com responsabilidade atribuída a operações anteriores.

Cerro de Pasco, cidade peruana situada a cerca de 4300 metros de altitude, vive há quase 400 anos sob a influência de uma mineração de grande porte. Hoje, um imenso buraco a céu aberto domina o entorno, com cerca de 300 metros de profundidade, situando-se ao lado de uma população de 80 mil habitantes.

A exploração concentra metais como chumbo, zinco e prata, deixando o meio ambiente contaminado. Solos e água potável apresentam elevações de metais pesados, incluindo chumbo e arsênico, com consequências graves para a saúde pública. Diversos estudos apontam exposições acima dos limites seguros locais e diretrizes internacionais.

Panorama histórico e operação das minas

Cerro de Pasco se tornou um polo de mineração sob controle de empresas privadas ao longo do século XX. Em 1999, a Vulcan assumiu a operação dos garimpos, herdando ativos anteriormente geridos pela Centrum e pela Cerro de Pasco Copper Corporation.

Essa transição coincidiu com a expansão do pátio aberto, que consome áreas residenciais para ampliar oxbf fundo de extração. O resultado foi a erosão de bairros inteiros, com moradias e estruturas abandonadas aos arredores do poço industrial.

Impactos à saúde das crianças

Relatos de moradores destacam impactos agudos e crônicos. Pesquisas de Source International mostram níveis de chumbo em crianças muito acima do aceitável, em alguns casos 43 vezes superior ao limite. Alergos, problemas neurológicos e dificuldades de desenvolvimento são frequentes.

A diretora de uma escola relata que a água potável precisa ser filtrada e desinfetada antes do uso, apesar dos esforços. Dados de 2018 a 2023 indicaram 140 violações aos limites de metais pesados no ambiente local, com maior incidência em fontes de água.

Ações governamentais e obstáculos

Em 2008, autoridades locais anunciaram a realocação da cidade por questões de saúde pública, classificada como necessidade pública e interesse nacional. Desde então, poucoou houve avanço efetivo.

Entre 2012 e 2017 houve novas declarações de emergência ambiental por parte do Ministério da Saúde. Em 2018 foram destinados recursos para um centro de tratamento para crianças, mas a obra não foi concluída.

Responsabilização e situação atual

Ao longo do tempo, três empresas mineradoras administraram o complexo, adquirindo companhias vizinhas para ampliar o furo e devastar áreas residenciais. Hoje, o distrito conserva áreas industriais ativas ao redor de estruturas degradadas.

A Volcano Mining Company, com participação da Glencore, acumula sanções administrativas, incluindo multa de cerca de US$ 3,5 milhões por descumprimento de normas ambientais. A defesa das empresas nega responsabilidades, atribuindo falhas a operações anteriores.

Desfecho e próximos passos

Até o momento, o governo não respondeu aos pedidos de comentário solicitados pela imprensa. Organizações locais e internacionais insistem na necessidade de compensação, remediação ambiental e atendimento médico contínuo à população.

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