- O governo mexicano abriu o Tren Maya no fim do ano passado, conectando Cancún e Tulum com o restante da península de Yucatán; o traçado completo soma 1.554 quilômetros.
- Um passeio de Cancún até Palenque levou mais de dez horas, com o trem em quatro ônibus sem aula especial, e a operação ainda mostra sinais de estar em fase de ajustes.
- O trem é visto como meio de transporte, não apenas atração turística; há debates sobre impactos ambientais, como desmatamento, remoção de comunidades e inundação de áreas de recarga de água.
- Em Escárcega e Candelaria, ativistas relatam realocação de famílias e wetlands ocupadas pela obra, com preocupações sobre conectividade de habitats, enquanto operários avançam com estruturas.
- Linhas futuras, como a linha cinco e a linha sete, geram controvérsias políticas e ambientais; visitas a cavernas revelam impactos ainda não mensurados, alimentando o debate público.
O governo mexicano abriu, em dezembro passado, o projeto Tren Maya, ligando Cancún e Tulum ao restante da Península de Yucatán. A obra, símbolo de desenvolvimento e de controvérsia, foi criticada por impactos ambientais e deslocamentos de comunidades. Ainda assim, o funcionamento atual gera dúvidas sobre frequências e itinerários.
A reportagem acompanhou a abertura para avaliar se o trem é uma opção viável de transporte. O objetivo foi verificar se ele cumpre o papel prometido de conectar cidades com conforto e rapidez, frente às críticas de destruição ambiental e de custos elevados. O trajeto escolhido percorre mais de 1.500 quilômetros no total, com várias paradas ao longo do caminho.
Chegada a Cancún, a equipe fotografou e entrevistou passageiros, incluindo moradores que utilizam o trem para deslocamento local. O que se viu foi um serviço ainda em operação parcial, com ajustes em andamento e sinalização de melhorias futuras. O clima entre viajantes variou entre curiosidade e ceticismo.
Viagem e funcionamento atual
A linha inaugural tem quatro carros, sem suítes, e saiu da estação de Cancún por volta das 7h, com o trem deixando o local próximo das 7h10. A viagem direcionou-se a Leona Vicario, seguida de paradas em Chichén Itzá e outras comunidades da Península, até Palenque. A velocidade observada ficou aquém do esperado, com deslocamento próximo ao tráfego rodoviário em trechos.
Viajantes, em sua maioria, estavam de férias ou em deslocamento turístico. Ao longo do trajeto, era comum registrar a paisagem, ainda que sem grandes cenários naturais à vista, o que reforçou a percepção de que o trem funciona como meio de transporte mais do que atração turística. A bordo, havia espaço para circulação entre assentos e a possibilidade de ir ao café.
Perspectivas locais e impactos
Em Escárcega, no centro de Campeche, o trem interliga as linhas 1 e 2 e se conecta ao futuro trecho 7, que vai a Chetumal. Atividades locais relatam ganhos de turismo, embora haja preocupações com impactos ambientais e deslocamentos. Ativistas acompanham obras em áreas habitadas e em zonas de reserva.
Em Candelaria, comunidades relataram que casas foram construídas para famílias removidas durante a construção. Relatos indicam que wetlands foram preenchidos para elevar a linha, gerando preocupações sobre alagamentos futuros em eventos climáticos extremos. O comércio local também expressou opiniões divididas sobre o custo ambiental.
Desdobramentos e próximos passos
O serviço tem apresentado desafios logísticos, com bilhetes esgotados para datas próximas e necessidade de ajustes na oferta de trens. Em Campeche City, a infraestrutura demonstrou limitações de acesso, exigindo deslocamentos adicionais para chegar ao centro histórico. A operação completa ainda depende de linhas adicionais e de estudos sobre impactos ambientais a longo prazo.
Outra frente acompanha a cobertura: obras para linhas futuras, incluindo áreas de cavernas e zonas de recortes ambientais na região sul. Especialistas alertam para a necessidade de avaliações independentes sobre a conectividade de habitats e a preservação de ecossistemas subterrâneos, especialmente em áreas de cavernas e rios subterrâneos.
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