- Em abril deste ano, os quatro pesquisadores vinculados à Persian Wildlife Heritage Foundation foram libertados da prisão em Teerã após cumprir seis anos e três meses de pena, sob acusações de espionagem.
- A libertação ocorre após outras três pessoas ligadas à mesma organização terem sido soltas entre 2020 e 2023; o fundador Kavous Seyed-Emami morreu na prisão pouco depois da detenção.
- A população do guepardo asiático, espécie criticamente ameaçada, é estimada em menos de trinta indivíduos no Irã, tornando a conservação extremamente desafiadora.
- Sanções internacionais dificultam cooperação, recursos e importação de equipamentos para conservação, prejudicando projetos no país.
- O Irã não enviou representante ao primeiro encontro global sobre guepardos, que enfatizou a importância de cooperação internacional para a conservação.
Inês Houman Jowkar, Sepideh Kashani, Taher Ghadirian e Niloufar Bayani, ligados ao Persian Wildlife Heritage Foundation (PWHF), foram libertados em abril, após cumprir seis anos e três meses de pena. O caso começou com prisões em 2018, no Irã, sob acusações de espionagem.
A libertação ocorreu em meio a apelos internacionais sobre a justiça e direitos humanos. Morad Tahbaz, que também tem cidadania britânica e norte-americana, já havia sido libertado no ano anterior, em troca de barcos e acordos com sanções. Ainda não está claro se os demais poderão retornar ao trabalho.
A PWHF, fundada em 2008, buscava proteger o guepardo asiático e outras espécies no Irã, em parceria com o Departamento de Meio Ambiente. O grupo enfrentou acusações de espionagem que abalaram a cooperação científica e a conservação de felinos na região.
Liberdade dos conservacionistas
Entre os liberados, Khaled Ghadirian, Bayani, Jowkar e Kashani receberam perdões por serviço já cumprido. O desfecho não dispensa dúvidas sobre o processo judicial, registrado em 2019 e mantido em 2020, com relatos de tortura e confissões forçadas. A opinião internacional expressa ceticismo sobre o caso.
A gestão do PWHF permanece sob escrutínio. Quase todos os membros da organização sofreram penas ou ações judiciais, e a liderança experimenta tensão com autoridades ambientais locais. A documentação aponta dificuldades de continuidade de pesquisas no país.
Apesar da libertação, não se sabe se os ex-funcionários retornarão imediatamente a atividades de campo. Em passagens anteriores, foi mencionado impedimento por dois anos, período que pode limitar a reentrada na pesquisa de vida selvagem.
Desafios atuais da conservação
A situação política e as sanções internacionais dificultam cooperação, aquisição de equipamentos e financiamento externo. A participação iraniana em propostas globais de conservação tem sido irregular, reduzindo oportunidades de intercâmbio de dados e recursos.
Especialistas destacam que a conectividade entre áreas protegidas é essencial para a espécie, cuja população no Irã é criticamente reduzida. Estimativas variam, mas menos de 30 indivíduos podem permanecer, confinados a áreas áridas do Dasht-e Kavir.
Registros apontam ainda que atropelamentos respondem por boa parte das mortes de onças na região. A falta de vias seguras e de planos de proteção para migrar entre áreas aumenta a vulnerabilidade dos felinos.
Questões de manejo de animais em cativeiro também aparecem. O Irã mantém um pequeno grupo de guepardos em cativeiro, com poucos filhotes nascidos desde 2022, enfrentando baixa diversidade genética e riscos de consanguinidade.
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