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Conservacionistas libertados no Irã, mas cenário para guepardos é sombrio

Conservacionistas liberados em Teerã após pena, enquanto o guepardo asiático permanece crítico, com menos de trinta indivíduos no planeta

Population estimates for the critically endangered Asiatic cheetah (Acinonyx jubatus venaticus) vary, but experts say fewer than 30 may remain. Image by Ehsan Kamali via Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
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  • Em abril deste ano, os quatro pesquisadores vinculados à Persian Wildlife Heritage Foundation foram libertados da prisão em Teerã após cumprir seis anos e três meses de pena, sob acusações de espionagem.
  • A libertação ocorre após outras três pessoas ligadas à mesma organização terem sido soltas entre 2020 e 2023; o fundador Kavous Seyed-Emami morreu na prisão pouco depois da detenção.
  • A população do guepardo asiático, espécie criticamente ameaçada, é estimada em menos de trinta indivíduos no Irã, tornando a conservação extremamente desafiadora.
  • Sanções internacionais dificultam cooperação, recursos e importação de equipamentos para conservação, prejudicando projetos no país.
  • O Irã não enviou representante ao primeiro encontro global sobre guepardos, que enfatizou a importância de cooperação internacional para a conservação.

Inês Houman Jowkar, Sepideh Kashani, Taher Ghadirian e Niloufar Bayani, ligados ao Persian Wildlife Heritage Foundation (PWHF), foram libertados em abril, após cumprir seis anos e três meses de pena. O caso começou com prisões em 2018, no Irã, sob acusações de espionagem.

A libertação ocorreu em meio a apelos internacionais sobre a justiça e direitos humanos. Morad Tahbaz, que também tem cidadania britânica e norte-americana, já havia sido libertado no ano anterior, em troca de barcos e acordos com sanções. Ainda não está claro se os demais poderão retornar ao trabalho.

A PWHF, fundada em 2008, buscava proteger o guepardo asiático e outras espécies no Irã, em parceria com o Departamento de Meio Ambiente. O grupo enfrentou acusações de espionagem que abalaram a cooperação científica e a conservação de felinos na região.

Liberdade dos conservacionistas

Entre os liberados, Khaled Ghadirian, Bayani, Jowkar e Kashani receberam perdões por serviço já cumprido. O desfecho não dispensa dúvidas sobre o processo judicial, registrado em 2019 e mantido em 2020, com relatos de tortura e confissões forçadas. A opinião internacional expressa ceticismo sobre o caso.

A gestão do PWHF permanece sob escrutínio. Quase todos os membros da organização sofreram penas ou ações judiciais, e a liderança experimenta tensão com autoridades ambientais locais. A documentação aponta dificuldades de continuidade de pesquisas no país.

Apesar da libertação, não se sabe se os ex-funcionários retornarão imediatamente a atividades de campo. Em passagens anteriores, foi mencionado impedimento por dois anos, período que pode limitar a reentrada na pesquisa de vida selvagem.

Desafios atuais da conservação

A situação política e as sanções internacionais dificultam cooperação, aquisição de equipamentos e financiamento externo. A participação iraniana em propostas globais de conservação tem sido irregular, reduzindo oportunidades de intercâmbio de dados e recursos.

Especialistas destacam que a conectividade entre áreas protegidas é essencial para a espécie, cuja população no Irã é criticamente reduzida. Estimativas variam, mas menos de 30 indivíduos podem permanecer, confinados a áreas áridas do Dasht-e Kavir.

Registros apontam ainda que atropelamentos respondem por boa parte das mortes de onças na região. A falta de vias seguras e de planos de proteção para migrar entre áreas aumenta a vulnerabilidade dos felinos.

Questões de manejo de animais em cativeiro também aparecem. O Irã mantém um pequeno grupo de guepardos em cativeiro, com poucos filhotes nascidos desde 2022, enfrentando baixa diversidade genética e riscos de consanguinidade.

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