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Marcas compram créditos de carbono da Amazon ligados a lavagem de madeira

Análise aponta que créditos de carbono de dois projetos na Amazônia podem ter servido para lavar madeira de áreas desmatadas ilegalmente, atingindo grandes empresas

An analysis of two carbon credit projects in the Brazilian Amazon has found that they may be connected to illegal timber laundering.
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  • Analistas do Center for Climate Crime Analysis identificaram possíveis casos de lavagem de madeira associando dois projetos REDD+ no sul do Amazonas (Unitor e Fortaleza Ituxi) a volumes de madeira declarados superiores aos estimados por imagens de satélite.
  • As créditos de carbono de ambas as áreas teriam sido vendidos a várias empresas globais, incluindo GOL, Nestlé, Toshiba e PwC, em operações intermediadas por Moss e Carbonext.
  • A investigação indica inconsistências entre o volume de madeira registrado no sistema DOF e o volume calculado por imagens de satélite, sugerindo possível lavagem de madeira de mais de 4,2 mil caminhões.
  • Os projetos são liderados por Ricardo Stoppe Jr. e já haviam passado por investigações e suspensões anteriores envolvendo atividades de manejo florestal e licenças, com controvérsias sobre a veracidade dos dados de madeira.
  • Verra e os auditores envolvidos negaram responsabilidades diretas, ressaltando existirem salvaguardas, mas o conjunto de evidências aponta para problemas de integridade nos créditos de carbono e na auditoria de projetos REDD+.

A análise da Center for Climate Crime Analysis (CCCA) aponta possíveis indícios de lavagem de madeira por meio de créditos de carbono vinculados a dois projetos REDD+ na Amazônia. Unitor e Fortaleza Ituxi ficam em Lábrea, Amazonas, somando 140.862 hectares e prevendo evitar 660.598 t de CO2 por ano.

Segundo a CCCA, houve inconsistências entre o volume de madeira declarado às autoridades e o estimado por imagens de satélite, sugerindo uso dos projetos para ocultar madeira ilegal em áreas de proteção ambiental. Estima-se que mais de 84.886 m³ de madeira estariam envolvidos em crédito potencialmente falso.

Os créditos de carbono de Fortaleza Ituxi e Unitor já haviam sido vendidos a empresas de peso, entre elas Moss, GOL, Nestlé, Sigma Lithium, PwC e Ecopetrol, além de Toshiba e Itaú entre clientes. A veracidade dos créditos é questionada pela ONG, que defende auditorias independentes para confirmar volumes.

Grupo Ituxi, responsável pelos projetos, negou ligações com lavagem de madeira e afirmou que as iniciativas passam por auditorias, verificações e registro. A empresa também afirmou que a extração é realizada por terceiros, com supervisão de planos de manejo florestal.

A análise utilizou o método NDFI, que identifica áreas com danos na floresta, e comparou áreas logadas com volumes declarados no DOF, o documento de origem florestal. Em alguns casos, áreas com madeira registrada não aparecerem como exploradas em imagens de satélite, o que complica a checagem.

Caso Fortaleza Ituxi apresentou números divergentes: em 2018-2019, imagens indicam apenas 35% de exploração, enquanto o DOF aponta volumes superiores a 100 mil m³. Essa diferença levou autoridades a classificar o caso como possível fraude de créditos.

Entre 2021 e 2023, a IBAMA realizou fiscalizações em unidades associadas aos projetos, com suspensões de planos de manejo em algumas propriedades. A depender de novas auditorias, trilhas de investigação podem se estender a outros produtores e imóveis associados.

Verra, certificadora dos créditos, informou que analisa com cautela os relatórios recebidos, sem comentar de imediato as evidências apresentadas. Auditorias independentes são citadas como indispensáveis para sustentar a integridade dos créditos.

A reportagem apurou que o ecossistema de crédito de carbono no Brasil enfrenta escrutínio crescente, com questionamentos sobre metodologias, independência de auditores e possíveis conflitos de interesse entre desenvolvedores, auditores e compradores.

Além de Fortaleza Ituxi e Unitor, a rede envolvendo Stoppe e Moço envolve outros produtores e imóveis em áreas de fronteira entre Amazonas, Rondônia e Acre. Investigações anteriores já sinalizavam irregularidades em documentos DOF e licenças de manejo florestal.

Autoridades brasileiras mantêm a vigilância sobre o tema, destacando a necessidade de padrões mais rígidos de verificação para evitar fraudes. Organizações ambientais e investidores seguem atentos aos desdobramentos e às respostas oficiais sobre responsabilidade e sanções.

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