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Arrasto de fundo em reservas marinhas do Reino Unido é legal

Mais de trinta mil horas de arrasto em áreas marinhas protegidas expõem falhas na proteção de ecossistemas, com dez embarcações respondendo por um quarto da atividade

Fishing boats and trawlers in Whitstable Harbour, London.
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  • Em dois mil e vinte e três, barcos comerciais equipados com arrastões e gear de pesca de fundo passaram mais de trinta e três mil horas operando em áreas protegidas offshore do Reino Unido.
  • A Oceana U.K. monitorou setenta e três MPAs offshore ao longo de cento e sessenta e três áreas, revelando atividade de pesca mesmo dentro dessas zonas.
  • Dez embarcações foram responsáveis por aproximadamente um quarto de toda a atividade de arrasto de fundo, sendo grande parte dessas embarcações de fora do Reino Unido.
  • Dois hotspots principais foram identificados: Southwest Deeps (East) e Western Channel, onde o fundo arenoso e dunas Abrigam diversas espécies bentônicas.
  • O governo britânico afirma ter avançado no manejo das MPAs desde a saída da União Europeia, incluindo proibição de arrasto de fundo em habitats específicos (como recifes) em treze MPAs offshore, com debate sobre proteção total dessas áreas.

Em 2023, navios comerciais equipados com dragas e equipamentos de arrasto de fundos atuaram em mais de 33 mil horas nas áreas marinhas protegidas offshores do Reino Unido, segundo a Oceana U.K. A organização usou dados de satélite para monitorar a atividade de pesca em 63 MPAs bentônicas, com o objetivo de proteger a biodiversidade marinha.

A análise revelou que, apesar do status protegido, as MPAs britânicas concentram atividades de pesca, especialmente no fundo do mar. Ao todo, 10 embarcações foram responsáveis por um quarto do arrasto de fundo nesses espaços.

Como funcionam as MPAs no Reino Unido

MPAs são áreas onde atividades são restritas ou proibidas para preservar ecossistemas e fomentar a pesca sustentável. Existem tipos diversos, incluindo áreas sem extração, com alta proteção, e áreas geridas localmente com regras específicas.

O Reino Unido possui uma rede de 374 MPAs e áreas protegidas, cobrindo cerca de 38% de suas águas. Entre os instrumentos estão áreas de conservação marinha, zonas de conservação, áreas especiais de conservação e áreas de proteção com componentes marinhos.

Ela McCaffrey, da DEFRA, afirmou por e-mail que o país montou uma rede abrangente de MPAs e avançou na gestão após a saída da União Europeia. Em 2024, houve proibição de arrasto de fundo em 13 MPAs offshore, visando características específicas como dunas e recifes.

O arrasto de fundo em áreas protegidas

Globalmente, o arrasto de fundo retira toneladas de peixe e invertebrados, representando uma fatia relevante da pesca mundial, mas gera controvérsia por capturar espécies não-alvo. Pesquisadores destacam impactos negativos sobre habitats e biodiversidade.

Mike Cohen, da National Federation of Fishermen’s Organisations, ressalta que o fundo do mar é dinâmico e que o arrasto pode causar danos, embora avalie que o impacto seja gerenciável com regras apropriadas. Já Hugo Tagholm, da Oceana U.K., sustenta que há muito mais trabalho a ser feito para proteger MPAs.

Evidências de atividade nas MPAs britânicas

A pesquisa apontou que grande parte da pesca ocorre em dois MPAs específicos: Southwest Deeps (East) e Western Channel, áreas de alta biodiversidade. O solo arenoso do Southwest Deeps (East) abriga diversos organismos bentônicos, enquanto as dunas arenosas da Western Channel hospedam moluscos, equinodermes e tubarões.

Caberá à Marine Management Organisation (MMO) emitir por meio de byelaws locais regras adicionais para proteger características específicas dentro das MPAs. Mesmo com a designação de MCZ, a proteção contra o arrasto não é automática.

O que vem pela frente para as MPAs do Reino Unido

A DEFRA já implementou medidas mais restritivas em certos trechos, enquanto conservacionistas demandam proteção mais ampla, além de pontos específicos. A meta do governo é proteger todas as 54 MPAs offshore de atividades pesadas até o fim de 2024.

Especialistas alertam que regras mais rígidas podem impactar a atividade pesqueira, exigindo equilíbrio entre conservação e sustento da indústria. Organizações ambientais ressaltam a necessidade de fortalecer a proteção para manter a resiliência dos ecossistemas e a viabilidade econômica a longo prazo.

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