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Pistas ilegais expõem povo Kakataibo à violência relacionada a drogas no Peru

Pistas clandestinas revelam rota de cocaína perto de comunidades Kakataibo, gerando violência, mortes de líderes e deslocamento de povos

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  • Mongabay Latam, com apoio de inteligência artificial, identificou pistas aéreas clandestinas usadas para tráfico de drogas perto da reserva indígena Kakataibo, em Ucayali, Peru, duas dentro e quatro ao redor de comunidades, com verificação em fontes oficiais.
  • O tráfico envolve cultivo de coca, maceração, produção de pasta de coca e envio de drogas por vias aéreas e ribeirinhas, gerando lucros expressivos para organizações criminosas nas rotas até a Bolívia e além.
  • Em 2023, três adolescentes entre 14 e 16 anos chegaram ao centro médico com sinais de intoxicação por cocaína, indicativo de uso de pasta de coca; profissionais de saúde não tinham treinamento específico para emergências toxicológicas em comunidades indígenas.
  • A existência de invasores, desmatamento e plantações de coca nas áreas vizinhas tem intensificado o medo entre os Kakataibo; há casos de líderes assassinados desde a pandemia, com investigações em andamento pela Justiça.
  • Guardas indígenas Kakataibo, formados por moradores locais, monitoram áreas florestais, combatem roças ilícitas e macerações, e coordenam ações com a polícia para neutralizar pontos de produção e tráfico.

O Kakataibo, povo indígena da região amazônica peruana, vive em áreas de reserva e de fronteira com invasões de grileiros, traficantes e madeireiros. A presença de pistas de pouso clandestinas aumenta a circulação de drogas entre comunidades isoladas e áreas consolidadas de cultivo de coca.

Relatos de moradores e especialistas indicam que atividade ilegal se intensificou após a pandemia. Estruturas de madeira antigas foram substituídas por casas de alvenaria, traficantes trazem dinheiro e temor, enquanto líderes tradicionais veem seus modos de vida ameaçados pela violência e pela violência.

O que aconteceu: investigações com inteligência artificial identificaram várias pistas de pouso ocultas na floresta, usadas para transportar cocaína. Em paralelo, ocorreram episódios de violência associada ao narcotráfico nas comunidades Kakataibo, com impactos diretos na segurança local.

Quem está envolvido: traficantes, invasores de terras, produtores de coca, além de comunidades de Kakataibo que atuam na defesa de seus territórios. A Polícia Nacional e DEVIDA conduzem operações de monitoramento e desencadeamento de ações de erradicação, com apoio de autoridades locais.

Quando e onde: pistas ocultas foram detectadas em diferentes momentos entre 2015 e 2021, sobre a reserva indígena Kakataibo Norte e em áreas adjacentes, no contexto de Ucayali, Huánuco e Pasco. A presença de estas vias facilita operações de envio para fronteiras com Bolívia e destinos na região.

Por quê: a expansão de plantações de coca e a atuação de redes de tráfico geram renda ilícita, violência e deslocamento de comunidades. A invasão de terras e o desmatamento para pastagens agravam os conflitos, deixando famílias sem água potável e com restrições de acesso a serviços básicos.

Desdobramentos e impactos: três jovens passaram por overdoses na comunidade, episódios que evidenciam o alcance do consumo de pasta de coca. A estrutura de saúde local não dispunha de laboratório para confirmar substâncias e enfrentou limitações de atendimento.

As lideranças indígenas destacam que a ocupação de territórios por invasores reduziu áreas disponíveis e comprometeu a autonomia de manejo tradicional. Guardas indígenas, formados por membros locais, patrulham florestas a cada 15 dias para mapear áreas derrubadas e coordenar ações de erradicação.

A atuação de autoridades aponta para seis pistas aéreas ilegais detectadas na região, com planos de destruição de infraestrutura e cooperação entre comunidades para impedir o uso de voos. A travessia de drug trafficking continua a exigir coordenação entre diversas frentes do crime e da vigilância.

Fontes locais ressaltam que a luta pela defesa do território envolve riscos extremos, incluindo violência contra defensores e ameaças anônimas. Seguimento de investigações e ações de contenção são essenciais para reduzir a exposição das comunidades a redes criminosas.

Fonte: Mongabay Latam, em parceria com Earth Genome, com dados de autoridades locais e organizações de defesa ambiental.

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