- A população de tigres selvagens no Nepal chegou a 355 indivíduos, quase triplicando desde 2010, quando havia 121 animais.
- Em fevereiro, o Território Terai Arc Landscape recebeu reconhecimento das Nações Unidas (ONU) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como uma das Bandeiras de Restauração Global da Década de Restauração de Ecossistemas (2021-2030).
- O programa de restauração de ecossistemas visa manter corredores de dispersão para os tigres, mas enfrenta desafios como desenvolvimento de infraestrutura, conflitos humano-fauna e políticas públicas inexistentes ou pouco claras, agravados pelo clima.
- O assentamento Madi, no interior do Parque Nacional de Chitwan, representa tensão entre moradores locais e conservação, com limitações impostas pelos guardas e a presença de um corredor de tigres entre Nepal e Índia.
- A expansão da rodovia East-West, de 115 quilômetros, corta áreas-chave de habitat de tigres, gerando riscos de atropelamentos e fragmentação, com passagens de fauna previstas apenas em pontos selecionados por restrições orçamentárias.
Nepal encerra 2024 com avanços na conservação do tigre, mas também com desafios crescentes. A população de tigres (Panthera tigris tigris) quase triplicou desde 2010, quando foi registrado o primeiro censo: 121 indivíduos. A contagem mais recente aponta 355 felinos nação.
O aumento ocorre no contexto do Terai Arc Landscape, região de floresta e planície que abriga o maior polo de tigers no Nepal. A expansão populacional convive com pressões de assentamentos humanos, agricultura e atividades de infraestrutura, exigindo equilíbrio entre conservação e desenvolvimento.
Expansão da população e reconhecimento internacional
Em 2024, Nepal recebeu reconhecimento internacional pelo esforço de restauração de ecossistemas. O UN Environment Programme e a FAO incluíram o Terai Arc como uma das sete World Restoration Flagships, dentro da Década de Restauro de Ecossistemas (2021-2030).
Entretanto, especialistas destacam que manter os avanços depende de políticas públicas claras e de combate eficiente à degradação de habitats. Mudanças climáticas intensificam conflitos entre pessoas e vida silvestre, requerendo estratégias integradas.
Desafios de convivência entre populações locais e tigres
O crescimento populacional dentro de áreas de tigres aumenta o potencial de encontros e conflitos. Em Chitwan, o que ficou conhecido como o “núcleo de tigres” concentra moradores de comunidades indígenas e migrantes, próximos a uma importante rota de dispersão entre Nepal e a Índia.
Kits de convivência entre humanos e animais são testados pelas autoridades, com restrições de acesso a determinadas áreas. A gestão do território procura reduzir riscos sem expulsar comunidades que vivem da terra há décadas.
Infraestrutura, mobilidade e proteção animal
Outra frente envolve a expansão da rodovia leste-oeste, que atravessa áreas de alto valor para o tigre. A obra, ampliada de duas para quatro faixas, passa por 11 manchas florestais próximas a Chitwan e não inclui inicialmente estruturas de passagem de animais.
Apesar de ajustes posteriores, especialistas alertam para o aumento de colisões entre veículos e fauna e para a fragmentação de habitats, impactando a mobilidade dos felinos.
Pressões econômicas e uso da terra
O avanço da agricultura, especialmente cana-de-açúcar, tem sido citado como fator que modifica o uso da terra nas áreas de tigres. Dados oficiais indicam expansão significativa da cana no Terai desde 1961, o que pode oferecer abrigo ou atrair tigres para áreas cultivadas.
Parcerias entre comunidades e governança local são apontadas como essenciais para gerir recursos naturais, com foco em planos de manejo florestal que promovam colheitas seguras e participação comunitária.
Conflitos com fauna silvestre e estratégias locais
Casos recentes de conflito humano-fauna destacam a necessidade de estratégias de mitigação que vão além de restringir a extração de madeira. A busca por fontes de alimento, como cogumelos e samambaias, também impulsiona deslocamentos por áreas de tigres, aumentando o risco de incidentes.
Especialistas defendem planos que promovam coleta responsável em grupo e melhorias na proteção de áreas de alimento, associadas a apoio e educação comunitária para reduzir riscos.
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