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Pássaros da América do Norte caem nas áreas onde são mais abundantes

Estudo com dados de eBird aponta queda em setenta e cinco por cento das espécies na América do Norte; 83% perdem presença onde são mais abundantes, especialmente no Ártico

Williamson’s sapsucker (*Sphyrapicus thyroideus*), one of the birds declining in areas where they’re abundant. Image courtesy of Blair Dudeck/Macaulay Library/Cornell Lab of Ornithology.
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  • Estudo recente mostra que quase 75% das espécies de aves na América do Norte estão em declínio ao longo de seus habitats, com oito em cada dez caindo nas áreas onde se pensava haver abundância.
  • Análise de 36 milhões de listas de observação de 2007 a 2021, com quase 500 espécies, usou dados do projeto eBird para mapear tendências na América do Norte, América Central e Caribe.
  • Em 83% das espécies, houve declínio significativo justamente nas áreas mais favoráveis, o que surpreendeu os pesquisadores e aponta para impactos locais da mudança de habitat.
  • Aves que nidificam no Ártico e em latitudes mais ao norte registraram as maiores quedas, possivelmente ligadas ao aquecimento climático e à alteração de habitats de nidificação.
  • Apesar da queda geral, a maioria das espécies ainda tem pequenas áreas de crescimento dentro de seu alcance, que podem servir como refúgios para recuperação.

A nova pesquisa aponta quedas acentuadas na população de aves na América do Norte, inclusive nos ambientes onde tradicionalmente são mais abundantes. O estudo analisou padrões de distribuição e, em vez de focar apenas em espécies isoladas, mapeou áreas de ganho e perda populacional.

Os dados vieram de observações de eBird, registro online de ciência cidadã em que observadores descrevem espécies vistas em locais e horários específicos. Foram analisadas 36 milhões de checklists, de 2007 a 2021, envolvendo quase 500 espécies na América do Norte, na América Central e no Caribe.

Padrões de declínio em áreas de abundância

De forma surpreendente, 75% das espécies apresentaram declínio ao longo de seus continuum de distribuição, e 80% mostraram quedas nas áreas onde eram mais comuns. Quase todas as espécies mostraram ganhos e perdas conforme o local, apontando para a importância de entender variações regionais.

Além disso, 83% das espécies tiveram declínio significativo nos locais mais adequados para sua reprodução, especialmente em áreas de pastagens, campos abertos e ambientes áridos. O recuo foi mais intenso entre aves que se reproduzem em tundras e zonas árticas.

Causas e impactos observados

Os pesquisadores destacam que o aquecimento climático, particularmente nas regiões árticas, pode estar afetando habitats de reprodução de várias espécies. A tendência é global, mas com variações locais que exigem ações direcionadas.

Entre as implicações, o estudo sugere que existem pequenas áreas de recuperação dentro dos intervalos das espécies, que podem servir como refúgios. Essas zonas podem orientar estratégias de conservação mais eficientes.

Repercussões para conservação

Especialistas ressaltam que o mapeamento espacial de tendências facilita o direcionamento de recursos e ações em campo. A colaboração com produtores rurais e gestores de land use ganha peso para a proteção de habitats-chave.

Pesquisadores destacam que a análise espacial ajuda a priorizar esforços de conservação, tornando as ações mais eficazes e adaptáveis a diferentes realidades regionais.

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