- Estudo aponta que cerca de 2% das espécies de anfíbios já enfrentam calor excessivo em seus habitats naturais; se o aquecimento continuar, esse valor pode chegar a 7,5% no fim do século.
- Análise com dados de 524 espécies mostrou que, com extrapolações, mais de cinco mil espécies (≈ 60% do total) podem ser impactadas por temperaturas limitadoras de calor.
- Hotspots de superaquecimento incluem sudeste dos Estados Unidos, norte da Austrália e a Amazônia; anfíbios terrestres têm maior risco, enquanto os aquáticos apresentam menor vulnerabilidade.
- A pesquisa também aponta padrões regionais diferentes entre hemisférios: no hemisfério sul, espécies tropicais tendem a ser mais vulneráveis; no hemisfério norte, as de latitudes mais altas sofrem mais calor.
- Conservação deve priorizar habitats com sombra e água para ajudar os anfíbios a regular a temperatura corporal e evitar impactos maiores com o aquecimento global.
Foram identificadas evidências de que cerca de 2% das espécies de anfíbios já enfrentam temperaturas que excedem seus limites fisiológicos de tolerância. O estudo, publicado em Nature, aponta que, se o aquecimento global continuar, esse percentual pode chegar a 7,5% até o fim do século.
A pesquisa liderada por cientistas da University of New South Wales avaliou dados de 524 espécies com medições de calor e modelou estimativas para mais de 5 mil anfíbios, o que representa cerca de 60% das espécies conhecidas. Os testes de calor não são fatais para os animais, mas indicam prejuízos na coordenação neuromuscular.
Entre os achados, destacam-se áreas com maior risco de superaquecimento, como o sudeste dos Estados Unidos, o norte da Austrália e a Amazônia. Espécies terrestres costumam enfrentar maior vulnerabilidade, enquanto anfíbios aquáticos apresentam menor risco.
Pontos geográficos específicos se mostram críticos, com áreas de floresta estreitamente relacionadas aos padrões de calor. As regiões arborizadas podem oferecer sombra e água, reduzindo os impactos em muitos casos, especialmente para espécies arbóreas.
Os autores observam que o padrão de vulnerabilidade varia por hemisfério. No Hemisfério Norte, anfíbios em latitudes mais altas mostram maior sensibilidade ao calor; na zona tropical, a expectativa é diferente, ainda sem explicação definitiva.
Os pesquisadores indicam que, entre 2° e 4°C de aquecimento, cresce significantemente o número de espécies sob risco. Os impactos podem superar as projeções, se não houver redução de emissões de combustíveis fósseis.
Pesquisadores ressaltam que as estimativas são conservadoras, pois consideram disponibilidade de sombra para os anfíbios. Para o estudo, o cenário real pode ser ainda mais crítico conforme as condições de habitat se alteram.
Ao discutir políticas de conservação, os especialistas citam a proteção de habitats com vegetação densa e corpos d’água. A preservação de áreas sombreadas é vista como essencial para a regulação térmica dos animais.
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