- Pesquisas sobre a Amazônia se concentram em ciências agrícolas, biológicas e ambientais, com aumento significativo desde os anos 2000, especialmente sobre desmatamento.
- Um estudo de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta escassez de pesquisas nas ciências humanas e da saúde na região.
- A pesquisa, publicada na revista Conservation, analisou publicações científicas sobre a Amazônia entre mil novecentos e setenta e sete e dois mil e vinte e quatro.
- A saúde da população local é uma prioridade, pois os impactos ambientais afetam diretamente a qualidade de vida das comunidades.
- Os pesquisadores defendem a criação de uma governança conjunta entre os países amazônicos para a conservação da floresta.
Pesquisas sobre a Amazônia têm se concentrado majoritariamente em ciências agrícolas, biológicas e ambientais, com um aumento significativo nas publicações desde os anos 2000, especialmente sobre desmatamento. Um estudo realizado por instituições como a USP e a Unicamp, em parceria com a Charles University, revelou uma escassez alarmante de pesquisas nas ciências humanas e da saúde na região. Os dados foram publicados na revista *Conservation* e analisaram tendências de publicações científicas sobre a Amazônia entre 1977 e 2024.
Os pesquisadores identificaram que, embora o Brasil seja o líder em publicações sobre a Amazônia, a maioria dos estudos ainda se concentra em ciências duras, como física e biologia. Carolina Fernandes, pesquisadora do IF, destacou que a falta de estudos nas ciências sociais e humanas é preocupante, pois a conservação da floresta está intrinsecamente ligada aos desafios enfrentados pelas comunidades locais. A necessidade de integrar essas comunidades em projetos de pesquisa é fundamental para abordar questões como o desmatamento e suas consequências.
Lacunas na Pesquisa
Outro ponto crítico levantado pelo estudo é a ausência de pesquisas sobre a saúde da população amazônica, especialmente nas áreas mais afetadas pelo desmatamento e queimadas. Marco Aurélio Franco, professor da USP, enfatizou que a saúde da população local deve ser uma prioridade nas pesquisas, pois os impactos ambientais têm consequências diretas na qualidade de vida das comunidades.
Os dados também mostram que, apesar do aumento no número de publicações, a maioria dos países amazônicos, como Guiana e Suriname, apresenta uma produção científica significativamente menor em comparação ao Brasil. A falta de investimento em pesquisa e tecnologia no Sul Global é um dos fatores que contribui para essa disparidade.
Necessidade de Governança
Os pesquisadores defendem a criação de uma governança conjunta entre os países amazônicos para a conservação da floresta. Carolina Fernandes alertou que não adianta o Brasil reduzir o desmatamento se os outros países da região não fizerem o mesmo. Franco acrescentou que a Guiana Francesa, como território ultramarino da França, também tem um papel crucial na preservação da Amazônia.
O estudo ressalta a importância do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e sua colaboração com instituições do Norte Global, que têm contribuído para o aumento das publicações. No entanto, a dependência de financiamento externo e a centralização das pesquisas ainda são desafios a serem superados. A pesquisa conclui que, para um futuro sustentável, é essencial que todos os países amazônicos unam esforços em prol da conservação da floresta.
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