- Mais da metade das espécies de tartarugas e quelônios do mundo estão ameaçadas; o relatório identifica 196 de 359 espécies sob risco, com 134 classificadas como em perigo ou criticamente em perigo, e cinco espécies já extintas.
- Asia é o epicentro da crise, com 32 das 66 espécies mais ameaçadas; na China, o grupo Cuora aparece com seis espécies entre as mais ameaçadas, incluindo a tartaruga de cabeça dourada (*Cuora aurocapitata*) e a tartaruga de Zhou (*Cuora zhoui*), raramente vistas em vida livre.
- Padrões globais mostram declínio também em Madagascar e América do Norte; Madagascar abriga cinco espécies altamente ameaçadas, e no México há oito espécies na lista para as Américas.
- A economia do extinção alimenta o tráfico, com casos recentes de contrabando de tartarugas ameaçadas e atividades ilegais associadas à medicina tradicional chinesa.
- Conservação tem mostrado avanços quando há ações coordenadas: proteção de habitats, programas de criação em cativeiro e “headstart” (criação de jovens para aumentar sobrevivência), além de envolvimento comunitário e exemplos de recuperação de populações, como em áreas da Austrália e nas Ilhas Galápagos.
O novo relatório 2025 Turtles in Trouble alerta que 54% das tartarugas e jabutis do mundo correm risco de extinção. O estudo, compilado pela Turtle Conservation Coalition, aponta 196 de 359 espécies ameaçadas pela IUCN.
Entre as espécies ameaçadas, 134 são classificadas como em perigo ou criticamente em perigo, com cinco já extintas em tempos modernos. O panorama revela piora desde a última avaliação, há seven anos.
Asia concentra a crise: 32 das 66 espécies mais ameaçadas vivem lá (48,4%). A alta diversidade é acompanhada por caça intensiva, comércio ilegal e uso de tortoises em medicina tradicional, incentivando a caça furtiva.
China lidera no contingente de espécies em risco, com nove nessa lista. O gênero Cuora reúne seis espécies entre as mais ameaçadas, incluindo a box turtle de cabeça dourada, que não é vista na natureza desde 2013.
Globalmente, padrões de declínio aparecem. Madagascar abriga cinco espécies altamente ameaçadas, com a tartaruga cabeçuda de chifre como uma das mais críticas. Na América, México lidera a região com oito espécies na lista.
A economia da extinção é discutida pelos especialistas: o grau de raridade eleva o interesse de caçadores e compradores. Em julho, autoridades da Espanha apreenderam 20 tartarugas de espécies protegidas em um contêiner vindo da China.
Conservação bem-sucedida é citada como exemplo de o que funciona quando há planejamento. Em Galápagos, a extinção de uma subespécie foi contornada pela recuperação de populações vizinhas por meio de programas específicos.
Programas de criação em cativeiro e headstart têm papel relevante, sobretudo para tartarugas marinhas. Proteção de ninhos, manejo de habitats e envolvimento de comunidades locais aparecem como pilares da recuperação.
Em Aceh, Indonésia, ações comunitárias mantêm ninhos protegidos com incentivos a pescadores locais. Em 2025, o programa protegeu 111 ninhos com mais de 2.200 ovos, liberando milhares de aonhós de volta à natureza.
A Turtle Survival Alliance atua com 43 das 66 espécies listadas, mantendo populações de reserva para reintrodução futura. A coalizão enfatiza ações locais, educação e proteção de habitats como essenciais para a sobrevivência.
Para especialistas, cada tartaruga conta. Pequenas ações individuais, como ajudar animais a atravessar estradas ou disseminar informações, somam na conservação de populações de longa vida.
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