- Brasil apresentou, em 29 de dezembro de 2025, sua Nova Estratégia Nacional de Biodiversidade e Plano de Ação (NBSAP) para 2025–2030, alinhado ao Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal.
- Meta principal: conservar 80% da Amazônia brasileira até 2030, abrangendo áreas protegidas, territórios indígenas e zonas de uso monitorado.
- O plano busca eliminar o desmatamento de todos os biomas até 2030, com foco na ilegalidade, mas também tratando de compensações legais e restauração.
- A estratégia integra biodiversidade e clima, tratando ecossistemas como infraestrutura e fortalecendo coordenação entre 20 ministérios e diversas agências.
- O sucesso depende de financiamento público e privado, de mecanismos como créditos de biodiversidade e mercado de carbono, além de reduzir subsídios prejudiciais à natureza.
O governo brasileiro apresentou hoje a nova Estratégia Nacional de Biodiversidade e Plano de Ação (NBSAP) para 2025-2030, aprovado após ampla consulta com cientistas, povos indígenas, sociedade civil e órgãos públicos. O documento foi protocolado em 29 de dezembro de 2025, durante um cenário de alinhamento com marcos internacionais de biodiversidade.
O texto consolida compromissos para conservar a Amazônia e ampliar a proteção de ecossistemas brasileiros. Entre os pilares estão a criação de áreas protegidas, territórios indígenas e mecanismos de manejo de terras onde o desmatamento é proibido. A estratégia está relacionada ao Quadro Global de Kunming-Montreal.
A iniciativa surge após anos de atraso na submissão de planos nacionais de biodiversidade à Convenção sobre Diversidade Biológica. O país participou de debates internacionais sobre metas de conservação e integração entre políticas de biodiversidade e clima.
Conservação da Amazônia
O plano fixa a meta de conservar 80% da Amazônia brasileira até 2030, com foco em áreas protegidas, terras indígenas e outras formas de manejo com restrições a desmatamento. A meta privilegia a proteção de ecossistemas estruturantes da regiã o.
Segundo dados recentes, a taxa anual de desmatamento na Amazônia tem caído nos últimos cinco anos, atingindo o menor nível em mais de uma década em 2025. Acuradamente, melhorias de fiscalização e integração de dados têm contribuído para esse recuo.
Ainda assim, o documento aponta riscos vividos pela floresta, como aumento de temperaturas, secas intensas e incêndios. A preservação dependerá da manutenção de padrões de chuva, conectividade entre áreas e resiliência do ecossistema.
Derrubada zero em todos os biomas
Além da Amazônia, a NBSAP estabelece a eliminação do desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030. O enfoque envolve também mecanismos de compensação e restauração, além de estratégias de prevenção de incêndios florestais.
A estratégia vincula o controle do desmatamento à prevenção de incêndios, à neutralidade de degradação do solo e ao combate à desertificação. A abordagem reconhece que a perda florestal envolve fatores como uso da terra, crédito rural e governança local.
Biodiversidade e clima
O plano alinha explicitamente conservação da biodiversidade às metas climáticas, tratando a proteção dos ecossistemas como parte de mitigação e adaptação. Florestas, manguezais, recifes e áreas úmidas são descritos como infraestrutura natural para regular chuvas, reduzir riscos e armazenar carbono.
A gestão integrada ganhou força com a criação de uma coordenação entre ministérios e órgãos. A NBSAP atribui responsabilidades a 20 ministérios federais e a vários órgãos, buscando maior integração institucional.
Financiamento e instrumentos
O documento reconhece que metas ambiciosas exigem recursos. O governo proíbe, gradualmente, subsídios prejudiciais à biodiversidade até 2030 e busca ampliar fontes de financiamento nacionais e internacionais. Entre as medidas estão créditos de biodiversidade e um possível mercado de carbono para florestas tropicais.
Alguns mecanismos, como créditos de biodiversidade, exigem avanços em mensuração, permanência e salvaguardas sociais. O mercado de carbono já possui avanços, mas envolve questões políticas sensíveis.
Agricultura e uso da terra
A NBSAP promove a intensificação sustentável da agricultura para atender à demanda global sem ampliar a pressão sobre vegetação nativa. A estratégia enfatiza uso mais eficiente da terra, gestão de áreas degradadas e restauração.
O desafio é evitar que a intensificação aumente o investimento em regiões de fronteira, o que exigiria controles rígidos de uso da terra, crédito e infraestrutura. A implementação dependerá de alinhamento entre políticas agrícolas e de conservação.
Processo de elaboração
O governo destaca que a NBSAP resulta da maior consulta sobre biodiversidade já promovida no Brasil. Seminários, consultas públicas e diálogos setoriais ocorreram ao longo de mais de dois anos, com participação de comunidades tradicionais.
Indígenas e comunidades locais aparecem como atores centrais na implementação, com ênfase em governança compartilhada e acesso à informação. A continuidade da participação depende de cenários políticos futuros.
Contexto político
O principal desafio externo à implementação está ligado ao cenário político nacional. A NBSAP é um instrumento de planejamento federal, não uma obrigatoriedade constitucional. A continuidade do avanço dependerá do curso da administração, especialmente diante de eleições.
Se houver continuidade, o plano deve caminhar de forma gradual e relevante. Mudanças de liderança podem levar a revisões, adiamentos ou suspensão de medidas já traçadas.
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