- No primeiro ano de sua segunda gestão, a EPA registrou 66 retrocessos regulatórios, segundo a NRDC, incluindo flexibilizações para mercúrio, fuligem e combustíveis fósseis, além de cortes em financiamentos para energias renováveis e proteções da água.
- A agência anunciou a eliminação da chamada “endangerment finding” de 2009, o que poderia enfraquecer regulações sobre gases de efeito estufa a nível federal.
- Também disse que não consideraria mais o custo à saúde humana de dois poluentes atmosféricos comuns ao avaliar regulações, embora continue a ponderar custos para a indústria.
- O atual administrador, Lee Zeldin, é visto como defensor de ações pró-combustíveis fósseis e de IA, e tem priorizado, segundo críticos, as empresas em detrimento da saúde pública; houve queda de funcionários e fechamento de setores, incluindo o setor de pesquisa.
- A EPA afirma que houve centenas de conquistas ambientais no primeiro ano, mantendo que decisões seguem evidências científicas de riscos à saúde e que melhorias em infraestrutura, energia e inovação ajudam a reduzir a poluição.
O Environmental Protection Agency (EPA) sofre críticas internacionais por adotar uma linha mais favorável a grandes empresas do que à saúde pública, um ano após o início do segundo mandato de Donald Trump. A agência tem promovido retrocessos em proteções ambientais e ampliado vantagens para emissores de poluentes.
Relatórios indicam que o órgão já lançou 66 reversões regulatórias no primeiro ano, conforme levantamento do NRDC (Natural Resources Defense Council). Entre as mudanças, constam flexibilizações de limites de poluentes emitidos por veículos e usinas, além de cortes de subsídios a energias renováveis.
Outra frente discutida é a revisão de políticas climáticas. A EPA sinalizou alterações relevantes na avaliação de danos climáticos causados por gases de efeito estufa, além de planejar reclassificar decisões sobre custos da saúde humana em regulações. A intenção é ajustar como os impactos são contabilizados.
O atual administrador da EPA, Lee Zeldin, tem defendido ações alinhadas ao discurso de promoção de petróleo, gás e, segundo críticos, ao uso de tecnologias como IA. O cargo já testemunhou forte apoio de setores conservadores, com frequentes aparições em veículos de comunicação.
Internamente, centenas de funcionários da agência apresentaram oposição formal à agenda, por meio de uma carta coletiva no ano passado. O protesto levou a suspensões de integrantes da equipe e despertou críticas sobre medidas que, segundo opositores, enfraquecem a capacidade de fiscalização.
A equipe de Zeldin também tem enfatizado reorganizações internas, com fechamento de divisões estratégicas como a área de pesquisa e desenvolvimento. Em paralelo, ações de fiscalização contra poluidores teriam diminuído, conforme relatos de sindicatos e observadores.
Ao mesmo tempo, a EPA argumenta que está atualizando a consideração de impactos à saúde humana nas decisões regulatórias, afirmando que decisões legais sobre padrões são orientadas por evidências científicas de risco, não por valores monetários fixos. A agência não detalhou como modelará esses impactos.
A gestão atual contesta críticas de suposta deserção de missão. Em nota, a EPA citou conquistas de seu primeiro ano, incluindo acordos internacionais para enfrentar a poluição hídrica, ações sobre químicos de alto risco e medidas para reduzir chumbo na água potável.
A análise destaca ainda o contexto político: defensores de Trump veem as mudanças como uso de energia estável, inovação e competitividade, enquanto opositores apontam riscos de aumento da poluição e de danos à saúde da população.
Especialistas ouvidos ressaltam que o equilíbrio entre crescimento econômico e proteção ambiental pode se alterar significativamente nos próximos anos, dependendo de novas decisões regulatórias e de fiscalização.
Fonte: autoridades e organizações ambientais citam números oficiais e estudos independentes para sustentar leituras sobre impactos das mudanças propostas pela EPA. O registro público aponta para um século de avanços em qualidade do ar, que agora enfrentam um escrutínio intenso.
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