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Escândalo do Master provoca crise no pilar da política climática de Lula

Escândalo com créditos de carbono inflou fundos do Master, expondo falhas regulatórias e crise de credibilidade do mercado brasileiro

Caso Master expõe falhas no mercado de carbono, aposta do governo Lula (Foto: Ilustração Gazeta do Povo com DALL-e)
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  • O escândalo envolvendo o Banco Master inflou estoques de créditos de carbono em cerca de R$ 45 bilhões e está sob investigação da Polícia Federal, gerando alerta sobre a regulamentação do mercado de carbono.
  • A gestão Lula sancionou, em dezembro de 2024, a base do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões para estabelecer preços, reduzir a informalidade e criar segurança jurídica, com implementação prevista até 2030.
  • Créditos usados no esquema eram baseados em estoques de carbono com certificação frágil e terras públicas da União na Amazônia; a Alliance Participações firmou contrato de opção de compra da Fazenda Floresta Amazônica, visando 168,8 milhões de unidades de carbono.
  • Empresas como Global Carbon e Golden Green tiveram ativos reavaliados em mais de R$ 45,5 bilhões, com auditorias apoiando os valores embora não houvesse lastro certificado ou metodologia reconhecida.
  • A Comissão de Valores Mobiliários abriu inquérito administrativo; o presidente interino João Accioly Neto afirmou que todas as frentes serão investigadas e que gestores e consultorias podem ser responsabilizados.

A investigação da Polícia Federal sobre o chamado Master expôs fragilidades no mercado de carbono brasileiro, um dos pilares da política climática do governo Lula. A operação aponta para uma rede que inflou créditos de carbono por meio de uma suposta pirâmide financeira, envolvendo o Banco Master e empresas ligadas ao esquema. O caso acende o debate sobre a necessidade de regulamentação mais rígida.

O episódio revela um descompasso entre a promessa de credibilidade internacional do Brasil e a prática de um mercado que cresceu sem regras claras. A gestão Lula sancionou, em dezembro de 2024, a base legal para o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), com o objetivo de tornar o mercado de carbono um motor econômico e um ativo fiscalizado pelo Estado.

A intenção da nova estrutura era impor preço às emissões de gases de efeito estufa, formalizar o mercado e assegurar que reduções de emissões gerassem créditos confiáveis. Empresas com emissões abaixo do teto poderiam vender créditos para companhias com emissões acima do limite, financiando metas ambientais.

Para viabilizar o SBCE, o Ministério da Fazenda criou, no fim de 2025, uma secretaria extraordinária para organizar regras do setor. Entretanto, o escândalo envolvendo o Master mostrou que o mercado avançou antes da regulamentação completa, prevista para 2030, alimentando práticas sem lastro robusto.

Esquema do Master

Relatos de investigações apontam que créditos de carbono classificados como estoques, com base em certificações frágeis, teriam sido usados para inflar fundos ligados ao Master. Esses créditos estavam atrelados a terras públicas da União na Amazônia, com valor de mercado estimado em bilhões de reais, sem lastro comprovado.

A operação envolveu a Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí, área da União destinada à reforma agrária. Em agosto de 2022, a Alliance Participações e Investimentos firmou contrato com um suposto proprietário local para ficar com a maior parte das unidades de carbono, deixando 20% para um intermediário.

A estrutura permitiu a formação de um estoque de aproximadamente 168,8 milhões de unidades de carbono, convertidas em cotas de fundos vinculados à Reag Investimentos. Balanços de empresas como Global Carbon e Golden Green teriam sido inflados, com valores acima de R$ 45,5 bilhões.

Auditorias e consultorias de grande porte participaram da precificação, sem ressalvas quanto à origem dos créditos. As empresas alegaram que o inventário foi realizado pela Unesp, com validação da metodologia pela Ernst & Young em 2020 e posterior reajuste por PwC e Crowe.

Confiança e Regulação

O caso abalou a confiança no mercado de carbono brasileiro e colocou em xeque a capacidade de o Estado lastrear ativos ambientais. O governo federal e reguladores são cobrados para oferecer respostas mais consistentes.

Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o episódio levou à abertura de um inquérito administrativo durante a troca no comando do órgão. O novo presidente interino, João Accioly Neto, informou que será feito um mapeamento do que já foi feito, do que falta e das falhas na cadeia de controle.

Ele afirmou que responsáveis por operações fraudulentas no mercado de capitais podem ser responsabilizados, incluindo gestores, consultorias e outros agentes. A avaliação, segundo ele, envolve apurar cotistas, pareceres de auditorias independentes e reclamações, para que as frentes sejam investigadas de forma abrangente.

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