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Barragem ameaça comunidade indígena no Nepal; plebiscito é pedido

Mulkharka, com maioria Tamang, vê a Nagmati Dam como ameaça de deslocamento e insiste que o tema vá a voto nas eleições

Mulkharka residents who oppose the Nagmati Dam project and are campaigning to stop construction.
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  • O Nagmati Dam, com 95 metros de altura, seria construído no leito do riacho Nagmati, abrangendo cerca de 50,7 hectares, visando melhorar o abastecimento de água, gerar eletricidade e revitalizar o rio Bagmati.
  • A obra está no interesse de autoridades há anos, recebeu endosso do governo em 2024 e é financiada pelo Asian Development Bank, que afirma manter due diligence ambiental e social.
  • Em Mulkharka, 66% das cerca de 2.042 famílias são povos indígenas Tamang, que temem deslocamento, impacto nos rituais e na subsistência ligados à floresta local.
  • Relatórios estimam corte de cerca de 80 mil árvores, com críticas a avaliações ambientais e à falta de inclusão ampla da comunidade nos debates, além de temores sobre conflito homem-fauna e perda de plantas medicinais.
  • Com as eleições parlamentares marcadas para março, moradores desejam levar a pauta ao eleitorado e cobrar dos candidatos um posicionamento claro contra o empreendimento.

O Nagmati Dam, projeto apresentado em Mulkharka, Nepal, tornou-se tema de debate entre moradores indígenas e autoridades. O dam está previsto para ser erguido no vale do Nagmati, a nordeste de Katmandu, ainda sem início de obras. A construção visa recuperar o Bagmati, melhorar o abastecimento de água e gerar energia, segundo o governo.

Ashok Tamang, morador de Mulkharka, relatou ter assistido à apresentação do projeto pela primeira vez em julho de 2023, em um mosteiro local. Ele afirma que os benefícios foram apresentados, mas sem discutir os riscos, levando à oposição da comunidade.

Mulkharka abriga predominantemente o povo Tamang, que representa cerca de dois terços das 2.042 famílias locais. Os moradores afirmam que o empreendimento poderá deslocar a comunidade e afetar rituais e atividades ligadas à floresta.

O plano prevê barragem de 95 metros de altura, em área de 50,7 hectares, com o objetivo de armazenar água durante a monção e liberá-la na seca. Oficiais dizem que a obra pode revitalizar o Bagmati, reduzir a escassez de água e gerar energia, ainda sem data de início.

Especialistas alertam para impactos ambientais significativos. Estima-se que dezenas de milhares de árvores possam ser derrubadas, além de riscos para o ecossistema local e para espécies que convivem com a comunidade. O projeto também pode interromper rotas históricas.

Comunidades locais destacam problemas complementares, como o aumento do conflito humano- animal e a perda de plantas medicinais. Os moradores mencionam que o parque Shivapuri Nagarjun já enfrenta pressões, e o manejo inadequado pode agravar impactos.

A defesa do meio ambiente aponta que a avaliação de impacto ambiental pode não ter considerado plenamente a participação comunitária. Críticas também chegam à condução de consultas e ao consenso entre moradores, com preocupações sobre transparência.

Entre as controvérsias estão também os custos do empreendimento, estimados em cerca de 190 milhões de dólares, e a viabilidade técnica pela localização, que fica próxima a áreas densamente povoadas e à geologia de encostas íngremes.

Fontes oficiais do governo indicaram que as análises técnicas, incluindo avaliações sísmicas e de inundação, foram realizadas e serão revisadas por um painel independente. O Banco Asiático de Desenvolvimento (BADC) financia o projeto, que permanece em estágio preparatório.

A agenda eleitoral de março de 2025, em meio a disputas sobre desenvolvimento e preservação, elevou o tom do debate. Moradores pedem que seus representantes levem a pauta ao eleitorado, para que haja clareza sobre impactos e benefícios.

Para os moradores de Mulkharka, a prioridade é proteger a terra ancestral. Eles apontam que a participação comunitária deve guiar decisões, com transparência sobre custos, riscos e alternativas de desenvolvimento.

Especialistas chamam a atenção para a necessidade de planejamento em escala de bacia hidrográfica e de comparação entre opções de manejo hídrico, sem privilegiar grandes obras sem avaliação de impactos sociais.

O grupo local que se opõe ao projeto planeja acompanhar as ações dos candidatos e cobrar compromissos concretos que assegurem direito à terra, aos recursos e à preservação ambiental, sem que o dam prejudique a sua forma de vida.

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