- Em abril de 2025, delegados da Organização Marítima Internacional buscaram um acordo vinculante para reduzir as emissões no transporte marítimo, com mecanismos de carbono.
- A delegação dos Estados Unidos saiu das negociações e enviou mensagem dizendo que rejeitava qualquer medida que imponha custos com emissões ou escolha de combustível, ameaçando medidas recíprocas contra países que adotem tais medidas.
- Mesmo assim, ao final da quinta semana foi acordado um texto com metas de redução de intensidade de carbono, participação em esquemas de comércio de carbono e incentivos para navios com emissões abaixo do limiar; 63 nações votaram a favor, 16 contra e 24 abstiveram; os EUA não votaram.
- Em agosto, autoridades americanas afirmaram que não aceitariam um acordo internacional que prejudique os EUA; memorando vazado indicou pressão para países votarem contra a proposta como condição de acordos comerciais.
- Em outubro, a assembleia da IMO tentou votar, mas houve deliberação para adiar a decisão por um ano, com 57 países a favor da demora, 49 contra e 21 abstenções, levando, na prática, ao adiamento do tratado. Países podem seguir com esquemas regionais de carbono.
O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, contestou um acordo internacional sobre emissões no setor de transporte marítimo e pressionou pela rejeição de medidas que recolhem encargos ambientais. O episódio ocorreu em meio a negociações da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre um tratado de descarbonização.
De forma decisiva, a delegação dos EUA saiu das discussões e encaminhou mensagem aos demais membros, declarando rejeitar qualquer medida que, segundo o país, imponha custos às frotas americanas. O comunicado também apontou a possibilidade de medidas recíprocas para mitigar impactos econômicos.
Mesmo com a pressão, as negociações seguiram. Ao final do quinto dia, restou a decisão sobre metas de redução da intensidade de carbono das embarcações e a adoção de mecanismos de comércio de carbono para navios com maiores emissões, além de incentivos para quem reduzir.
A votação contou com 63 países a favor, incluindo União Europeia, Reino Unido e China. Foram 16 contra, entre eles Rússia e Arábia Saudita, e 24 abstencionistas. Os EUA não votaram no texto final.
Em agosto, autoridades do governo norte-americano reiteraram que os EUA não aceitariam um acordo que considerassem prejudicial aos seus interesses, classificando a proposta como possível tributação global sobre navios. A declaração foi divulgada por porta-vozes do Departamento de Estado.
Poucos dias depois, surgiu um memorando vazado que sugeria pressão econômica sobre países que votassem a favor da iniciativa. O documento indicava que votos contrários poderiam afetar acordos comerciais com os EUA.
Ao chegar à reunião da IMO em outubro, a delegação americana manteve posição de não apoiar o texto, levando a debates tensos. Houve relatos de ameaças de visto e mudanças de instruções diplomáticas que influenciaram votações nacionais.
Apenas uma parcela dos delegados apoiou a proposta de adiar a votação por mais um ano, para evitar impactos de pressões externas. A maioria optou por manter a decisão em aberto, reconhecendo o risco de inviabilizar a iniciativa.
Apesar do impasse, o impulso para reduzir emissões no transporte marítimo não desaparece. Especialistas apontam que a indústria pode avançar com medidas regionais de carbono e investimentos em tecnologia, independentemente de um acordo global.
A indústria marítima afirma que a descarbonização é viável com investimentos contínuos. Países já vêm explorando caminhos regionais de cooperação, o que pode ampliar o ritmo de redução sem depender de um tratado único.
A história mostra que a competitividade e a proteção ambiental não são mutuamente exclusivas. Enquanto Washington recua, outras regiões avançam com esquemas de tarifação de carbono e padrões de eficiência para navios.
Entre na conversa da comunidade