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Cartografia: o papel das mulheres na criação de mapas ao longo dos séculos

Mulheres moldam a cartografia ao longo da história, enfrentando invisibilidade e, hoje, lideram iniciativas que democratizam mapas e reduzem disparidades

Imagem mostrando Gladys West e Sam Smith olhando dados do sistema de posicionamento global.
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  • As mulheres tiveram papel essencial na cartografia ao longo da história, mas suas contribuições foram negligenciadas por séculos.
  • Mapas já utilizaram figuras femininas e o conceito de Gaia para representar terras e povos, refletindo questões de território e poder.
  • No passado, mulheres coloriam mapas, bordavam peças e, com a popularização da impressão, passaram a atuar como gravadoras, editoras e criadoras de globos. Durante a Segunda Guerra Mundial, as “donzelas do mapeamento militar” produziram milhares de mapas e contribuíram com fotogrametria.
  • Nas décadas de cinqüenta, surgiram avanços como sensoriamento remoto e GPS, contando com pesquisadoras que ajudaram a moldar essas tecnologias, entre elas Evelyn Pruitt e Gladys West.
  • Hoje, há falta de dados geográficos sobre questões que afetam as mulheres; organizações promovem o mapeamento inclusivo para representar melhor as necessidades femininas e ampliar a participação feminina na cartografia.

A cartografia tem raízes históricas associadas a homens, mas as contribuições das mulheres nesse campo são relevantes e foram subestimadas por muito tempo. Relatos e estudos mostram que habilidades femininas estiveram presentes desde os mapas iniciais até as tecnologias modernas, ainda que a documentação seja escassa.

Com o avanço de tecnologias como os sistemas de informação geográfica, as oportunidades para mulheres se educarem, trabalharem e pesquisarem em cartografia aumentaram. A evolução técnica abriu espaços que antes eram pouco acessíveis, alterando a participação feminina no setor.

A paisagem feminina na cartografia envolve o uso de representações que passam pela cultura, pela ciência e pela educação. Em muitas culturas, a figura da Terra como mãe figura em concepções de mundo, influenciando a forma como mapas são desenhados e interpretados.

A paisagem feminina

As mulheres contribuíram para a percepção do mundo por meio de diversas formas de cartografia, incluindo práticas culturais que comunicavam recursos naturais, rotas de migração e patrimônio. Em muitos momentos, sua atuação ocorreu nas bordas da produção cartográfica tradicional.

No século XVI ao XIX, mapas passaram a representar nações com figuras femininas, refletindo estilos e estereótipos da época. Tais representações serviam para comunicar poder, território e identidade nacional, ainda que não correspondam às formas reais do relevo.

Durante a história, a visão feminina da Terra foi associada a conceitos de fertilidade, proteção e vida, ao passo que o desenvolvimento político moldava a leitura desses mapas. Essa simbologia ajudou a moldar a relação entre território e poder.

Tecnologia e o papel das mulheres na cartografia

Registros precisos da participação feminina ainda exigem pesquisa cuidadosa, mas evidências apontam papéis variados. Em tempos antigos, trabalhos de bordado, cores e detalhes artísticos já contribuíam para a finalização de mapas.

Com o século XVIII, a impressão ampliou oportunidades de atuação para mulheres como gravadoras, editoras e fabricantes de globos. A educação formal no século XIX consolidou a presença feminina em mapas de tecido, linho e papel.

A Segunda Guerra Mundial abriu espaço para que mulheres assumissem funções críticas na cartografia militar, produzindo mapas, interpretando fotografias aéreas e fortalecendo a fotogrametria. O marco ficou conhecido como o trabalho das Millie, as donzelas do mapeamento.

A partir dos anos 1950, o sensoriamento remoto passou a designar o uso de imagens de satélite para observar a Terra. Nessa época, também surgiram avanços significativos em matemática que contribuíram para o GPS, abrindo novos horizontes para mulheres na geotecnologia.

Mulheres criando mapas

As sociedades indígenas utilizavam formas próprias de cartografia, expressando informações espaciais por meio de canções, danças e rituais. Esses saberes integravam mapas comunitários passados entre gerações.

No processo europeu, a participação feminina muitas vezes ocorreu após a morte de maridos, assegurando a continuidade de negócios de impressão, reprodução e venda de mapas. Mulheres também gerenciaram atlas nacionais, como um dedicado ao Atlante da Inglaterra e do País de Gales.

Mulheres definindo a direção dos mapas

A cartografia moderna revela lacunas de dados sobre questões que afetam diretamente as mulheres, como saúde, segurança e planejamento futuro. Desastres e violência de gênero evidenciam a necessidade de maior representatividade nos conjuntos de dados geográficos.

Iniciativas colaborativas promovem a participação feminina na cartografia, com organizações que oferecem treinamentos, oficinas e acesso a ferramentas de mapeamento. Projetos voltados a comunidades ajudam a moldar mapas que correspondam a necessidades reais.

Milhões de pessoas permanecem ausentes dos mapas, incluindo mulheres em territórios vulneráveis. Aumentar a participação feminina na criação de mapas fortalece a inclusividade e a eficácia das abordagens geoespaciais.

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