Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Mega projeto de canal no Camboja ameaça comunidades costeiras e vida marinha

Camboja inicia canal Funan Techo de 180 km, gerando temor entre comunidades costeiras que temem perda de pesca, deslocamento e impactos ambientais

Across Kep province, fishing communities fear the Funan Techo Canal will see them lose their homes on land and their livelihoods at sea.
0:00
Carregando...
0:00
  • O Funan Techo Canal é um projeto de R$ quase 1,2 bilhão de dólares e 180 quilômetros que ligará o rio Mekong ao mar em Kep, atravessando quatro províncias.
  • O objetivo é reduzir custos logísticos e gerar empregos, mas moradores locais dizem ter recebido pouca informação oficial sobre o empreendimento.
  • Comunidades costeiras temem despejo, perda de áreas de pesca e impactos em habitats marinhos com a dragagem e o aumento do tráfego marítimo.
  • O governo prevê efeito sobre milhares de pessoas e hectares de terras agrícolas, mas há divergência sobre números de famílias e áreas afetadas.
  • O projeto teve financiamento anunciado pela China Road and Bridge Corporation, com acordo de financiamento de parte do valor total, ainda sem progressos visíveis em várias etapas.

O governo cambojano iniciou a construção do Canal Funan Techo, uma via navegável de aproximadamente 180 quilômetros que conectará o Mekong ao mar. O projeto, orçado em cerca de US$ 1,16 bilhão a US$ 1,7 bilhão, passa por quatro províncias e visa reduzir custos logísticos, gerar empregos e estimular o desenvolvimento econômico.

O canal ligará o Mekong, no interior de Kandal, ao litoral de Kep, abrindo caminho para um novo porto e corredores de navegação profunda. A proposta inclui transformar Angkoal, em Kep, em um polo logístico com impactos significativos sobre a pesca local e os ecossistemas costeiros.

A obra tem enfrentado críticas por falta de transparência e informações aos moradores das áreas afetadas. Em Kep, pescadores temem a perda de terras, de acesso aos recursos hídricos e de suas áreas de pesca tradicionais, já pressionadas pela privatização e pela degradação ambiental.

Dados oficiais indicam que o projeto afetará cerca de 2.305 famílias, com impactos também em aproximadamente 3.469 hectares de áreas de cultivo. No entanto, autoridades não detalharam números de agricultores ou de propriedades que sofrerão deslocamentos ou alterações no uso da terra.

O financiamento recebeu participação de uma estatal chinesa, a China Road and Bridge Corporation, que confirmou financiamento de parte do empreendimento em um modelo de concessão com operação e transferência ao longo de décadas. O custo total foi ajustado e o projeto permanece com etapas de implementação em aberto.

Até o momento, não houve progresso reportado de forma consistente no canteiro ao longo de todo o traçado. Em anúncios oficiais, a linha do tempo aponta que as dragagens para formação de canais e berços deveriam ter começado, mas não foram verbalizadas evidências de atividades significativas fora de Kep.

No litoral de Kep, a construção prevista do novo porto e das rotas de navegação levantou temores de sedimentação, poluição e interrupção de habitats-chave para espécies marinhas. A expectativa é de que a operação de grandes navios encerre áreas de pesca costeiras acessíveis aos pescadores de Ampaeng e comunidades vizinhas.

Especialistas ressaltam que a região abriga ecossistemas sensíveis, como pradarias de ervas marinhas e recifes de coral, que fornecem abrigo e alimento a diversas espécies, além de serem importantes sumidouros de carbono. A viabilidade de equilibrar desenvolvimento e conservação ainda depende de planejamento efetivo e fiscalização robusta.

Diversos moradores, que vivem da pesca há décadas, relatam insegurança quanto à compensação, aos títulos de terra e aos direitos de uso da água. Com a ausência de informações consistentes, circulam rumores sobre realocação em áreas não tão distantes, com a possibilidade de afetar comunidades inteiras ao longo da costa.

O panorama internacional envolve preocupações de países da região sobre possíveis impactos no delta do Mekong e na segurança alimentar. Em Phnom Penh, autoridades enfatizam benefícios econômicos potenciais, enquanto críticos pedem avaliações independentes, consulta pública e mecanismos de proteção ambiental.

Entre os locais já atingidos pela transformação costeira, destacam-se Koh Tonsay (Coelho), Ilha localizada na área de manejo pesqueiro de Kep, que tem sido alvo de projetos de desenvolvimento. Organizações locais apontam riscos para a recuperação de habitats marinhos e para a sustentabilidade da pesca artesanal.

Além de Kep, o traçado do canal passa por Kandal, Takeo e Kampot, áreas com comunidades rurais dependentes de recursos naturais. A administração pública sustenta que a obra aumentará a competitividade logística do Camboja, mas moradores e especialistas pedem dados confiáveis sobre impactos ambientais, sociais e econômicos.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais