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Líquens revelam segredo para respirar ar mais puro

Pesquisadores usam líquenes como indicador da qualidade do ar; o aplicativo LicheN registra espécies em árvores para calcular o NAQI e mapear poluição

April Windle from the British Lichen Society has been studying lichen for more than a decade
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  • Lichens são fungos que formam associações com algas ou bactérias e existem cerca de 1.800 espécies na Reino Unido, cada uma tolerante a diferentes ambientes.
  • Pesquisadora April Windle, da British Lichen Society, estuda esses organismos há quase uma década no New Forest.
  • Lichens servem como indicadores de qualidade do ar, pois absorvem o que está ao redor do local em que crescem.
  • Cientistas desenvolveram o aplicativo LicheN, da UK Centre for Ecology and Hydrology, para registrar a presença de lichens em cinco árvores, calculando o Nitrogen Air Quality Index (NAQI).
  • Os dados do aplicativo devem ser cruzados com medições de gases feitas em estações de monitoramento do Reino Unido para mapear e comparar métodos de monitoramento da qualidade do ar.

A pesquisadora April Windle, da British Lichen Society, está há quase uma década estudando líquens. Nesta atividade, ela observa um riacho lamacento no New Forest, área de floresta no sul da Inglaterra, para entender como esses fungos indicam a qualidade do ar ao seu redor.

O que chama a atenção é a diversidade de líquens presentes na região. Existem cerca de 1.800 espécies no Reino Unido, adaptadas a diferentes ambientes. Por absorverem substâncias do ar, eles funcionam como indicadores da poluição atmosférica.

Ao sair das áreas florestais, as espécies mudam conforme a proximidade de vias públicas. Citrinos de forma e cor diferentes aparecem em galhos próximos a estradas, sinalizando tolerância a poluentes.

Aproveitando a diversidade, pesquisadores utilizam a LicheN, uma ferramenta digital criada pelo UK Centre for Ecology and Hydrology (UKCEH). O aplicativo permite registrar quais líquens crescem em determinadas árvores, para estimar a qualidade do ar local.

A metodologia envolve a observação de duas espécies-alvo de árvores, como carvalhos e bétulas, que hospedam líquens indicadores de sensibilidade ao nitrogênio. O registro é feito com base em um guia específico do estudo.

Ao final do registro, o aplicativo calcula o Nitrogen Air Quality Index (NAQI), uma métrica que ajuda a mapear a poluição ao longo de áreas urbanas e rurais. Os dados são cruzados com medições tradicionais de gases atmosféricos.

Dr. Bill Bealey, pesquisador do UKCEH, explica que o processo é simples: o usuário seleciona as espécies observadas, registra as ocorrências e verifica o NAQI resultante. O método requer a observação de cinco árvores, para ampla amostra.

Os dados gerados pela LicheN são comparados com leituras de estações de monitoramento espalhadas pelo país. O objetivo é verificar a consistência entre os sistemas de medição e ampliar o mapeamento da poluição do ar.

De volta ao New Forest, Windle analisa outro conjunto de líquens em pequenos galhos. Os estudos destacam que líquens com cores vibrantes podem indicar ambientes com maior poluição por nitrogênio.

Os pesquisadores sublinham que líquens são organismos pequenos e discretos, mas carregam informações valiosas sobre o ambiente. O trabalho reforça o papel dos líquens como guias ambientais em estudos de qualidade do ar.

Entre avanços e observações, a equipe aponta a importância de combinar métodos tradicionais de monitoramento com dados coletados pelos aplicativos. Essa integração permite compreender melhor as variações atmosféricas.

O estudo também visa ampliar o conhecimento público sobre líquens, destacando seu papel na ecologia urbana e rural. A pesquisa mostra como atividades simples de campo podem gerar dados úteis para políticas ambientais.

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