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Guepardos mumificados em cavernas sauditas podem moldar planos de rewilding

Sete guepardos mumificados e sessenta e quatro restos esqueléticos em cavernas no norte da Arábia Saudita podem ampliar opções de reintrodução e diversificar o pool genético

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  • Sete cheetas naturalmente mumificados foram encontrados, acompanhados de 54 restos esqueléticos preservados por até 4.000 anos em cavernas no norte da Arábia Saudita.
  • As descobertas ocorreram em 134 cavernas próximas à cidade de Arar, em uma área de 1.211 quilômetros quadrados.
  • Radiocarbono indica que o mais antigo dos exemplares tem cerca de 4.000 anos; um morreu há cerca de 130 anos.
  • Tomografias revelaram cérebro pequeno ainda visível e articulações intactas; 20 crânios passaram por análise, com maioria de subadultos entre 18 e 24 meses.
  • Análise de DNA completo de três exemplares mostra que mais de uma subespécie viveu na região, abrindo espaço para novas estratégias de rewilding na península.

Dois fatos chamaram a atenção de pesquisadores no extremo norte da Arábia Saudita: sete felinos cheetah naturalmente mumificados foram encontrados em uma rede de cavernas, acompanhados dos ossos de 54 indivíduos. A preservação ocorreu em câmaras subterrâneas áridas, com milênios de idade.

As descobertas foram feitas durante mapeamento de 134 cavernas na região de Arar. Cinco cavernas guardavam restos de cheetah, e uma única caverna com acesso por dolina forneceu 41 exemplares.

A pesquisa, publicada na Communications Earth & Environment, mostra condições climáticas quentes e secas que impediram a decomposição, mantendo tecidos moles por séculos. CTs revelaram cérebro reduzido, mas preservado, e ligações ósseas estáveis entre crânio, coluna e tórax.

O estudo analisou datação por radiocarbono de esqueletos e concluiu que os mais antigos remontam a cerca de 4 mil anos. Um exemplar morreu há cerca de 130 anos, próximo de avistamentos recentes na região.

Radiografias de 20 crânios indicaram que a maioria das crias tinha entre 18 e 24 meses de idade, com nove filhotes entre os achados, sugerindo que as cavidades também funcionavam como ninhos.

Análise de DNA antigo, pela primeira vez realizada em grandes felinos naturalmente mumificados, revelou que a amostra mais nova geneticamente se aproximava do guepardo asiático, enquanto dois indivíduos mais velhos estavam ligados ao guepardo africano Ocidental.

A equipe aponta que a presença de mais de uma subespécie em território saudita amplia o campo de opções para programas de reintrodução e diversificação do pool genético. O guepardo asiático é extremamente reduzido, com menos de 30 indivíduos, o que complica sua cadeia de reintrodução.

Segundo o estudo, as descobertas indicam que oplanos de rewilding na Península Arábica devem considerar a possível contribuição de espécies históricas distintas, ampliando as alternativas para a recuperação do habitat.

O trabalho sugere ainda que o Saudia já teve sucesso na recuperação de outras espécies de ungulados, como o ibex-árabe e a gazela-do-deserto, reforçando o potencial de ações de restauração da fauna local.

Os pesquisadores destacam a importância de bases de dados paleogenômicas para entender a história genética dos cheetahs na região, com implicações para estratégias de manejo de espécies em risco. A pesquisa envolve autoridades locais e instituições internacionais.

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