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Mortes de migrantes no Mediterrâneo batem recorde por rotas inseguras e clima

Migrantes no Mediterrâneo registram recorde de mortes no início de 2026, com 768 mortos ou desaparecidos e falta de rotas seguras aumentando o risco

Migrantes a bordo de un barco, cruzando La Mancha, en Gravelines (Francia), este miércoles.
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  • Desde o início de 2026, pelo menos 768 migrantes morreram ou desapareceram no Mediterrâneo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), marcando o começo de ano mais mortífero já registrado.
  • Em janeiro e fevereiro, quase dez mil e oitenta chegadas foram registradas na Europa, e a taxa de mortes ou desaparecimentos ficou em cerca de uma em quinze, quase seis vezes a média dos últimos cinco anos.
  • A rota central continua sendo a mais letal, respondendo por 559 das mortes desde o começo do ano; o naufrágio perto de Creta deixou dezenas de mortos e resgates, com pelo menos 30 falecidos estimados.
  • Um novo fator é a instabilidade regional ligada a ataques na região e ao conflito no Mediterrâneo Oriental, que pode reduzir a atenção às rotas migratórias na UE.
  • Organizações de apoio a migrantes dizem que a cifra real é ainda maior, com relatos de naufrágios “fantasma”; a OIM reforça a necessidade de vias seguras e de operações de busca e resgate em lugares seguros.

O início de 2026 no Mediterrâneo registra um acréscimo histórico de mortes e desaparecimentos de migrantes, com o objetivo de cruzar o mar cada vez mais arriscado. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), 768 pessoas morreram ou desapareceram entre janeiro e fevereiro, o maior valor para o período desde o início dos registros, em 2014.

A OIM aponta que a maioria das tragédias ocorre na rota central do Mediterrâneo, entre Libia e Itália ou Grécia. Em janeiro e fevereiro, houve quase 11 mil chegadas a Europa, o que significa que ~1 em 15 migrantes a caminho do continente morreu ou desapareceu em alta mar, quase seis vezes a média dos últimos cinco anos.

Em recente operação ao sul de Creta, um barco que partiu da Líbia virou durante um temporal. O resgate efetuou 20 pessoas; 4 corpos foram encontrados. De acordo com informações fornecidas pela organização, há indícios de que 30 migrantes teriam morrido, incluindo 18 egípcios entre os 21 a bordo.

O Egito informou ter localizado três corpos entre os-21 egípcios na embarcação. As autoridades mencionaram ainda que 18 pessoas permanecem desaparecidas. Diversas organizações de apoio dizem que o número real de vítimas pode ser maior, citando relatos de testemunhas que indicam mortes adicionais ainda não registradas.

A taxa de chegadas à Europa em janeiro e fevereiro foi a mais alta do período recente, mantendo a trajetória de risco elevado para quem tenta cruzar. Entre os dias mais dramáticos, houve três episódios de naufrágios com mais de 100 mortos ou desaparecidos, principalmente em frente à costa tunisiana durante o ciclone Harry.

Essa escalada coincide com tensões regionais ampliadas por ações envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que podem influenciar as prioridades diplomáticas da União Europeia. A repercussão no campo das rotas migratórias ainda é incerta, mas já preocupa autoridades e organizações humanitárias.

Para a OIM, combater as mortes passa por ações contra redes de tráfico, operações de busca e resgate mais eficazes e desembarques em locais seguros. A organização ressalta, no entanto, que oferecer vias legais e seguras é a solução de longo prazo para proteger quem está em deslocamento.

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